‘Desapego com dor e amor’: pai narra a vida do filho que conviveu uma década com câncer
“Francesco, hoje tirei o seu terceiro dente de leite.
Um dente da arcada inferior, localizado bem na frente.
Foi uma experiência muito especial, uma vez que, em variadas ocasiões, chegamos a pensar que esse momento nunca seria possível.
Agora que pudemos puxar o dentinho, sentimos uma alegria especial e ficamos imensamente gratos a Deus por nos permitir viver momentos como esse”.
O trecho acima foi retirado de uma carta escrita por Waldir Beira Júnior quando seu segundo filho tinha cerca de seis anos de idade.
Cinco anos antes, quando o menino mal havia completado um ano, um médico havia dito que ele não chegaria aos dois.
Francesco, porém, viveu pouco mais de uma década com um tumor no cérebro .
“Ao lado do sentimento de gratidão, brota também em nós alguma angústia e ansiedade diante do futuro”, continua a carta.
“Tento raciocinar, buscando trazer à mente o sucesso conquistado nas experiências passadas.
Afinal, você, Francesco, está vivo e conosco”.
Registros como esse, em que a alegria das pequenas conquistas convive com a consciência da finitude, povoam “Desapego com Dor e Amor” (Editora DBA), livro recém-lançado no qual Waldir narra a trajetória de seu filho e discute a relevância dos cuidados paliativos na infância.
"Desapego com dor e amor" Compre agora: Amazon - R$ 85,40 Continua após a publicidade O leitor pode se perguntar, como diz Ignácio de Loyola Brandão no prefácio, “se é assim, por que ler? Para me martirizar?”.
Não, responde o escritor.
“Para saber o que significam amor, força, fé e persistência.” Continua após a publicidade Diante do prognóstico inicial, os pais da criança, Waldir e Priscila, embarcam em uma odisseia não só para evitar a morte do filho, mas para proporcionar ao menino qualidade vida , independentemente de haver ou não possibilidade de cura — uma das máximas dos cuidados paliativos.
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