Moradia de aluguel predomina no centro de SP, enquanto periferia lidera com casa própria
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Keyson e Maria têm praticamente a mesma idade, na casa dos 30 anos, e vivem em situações opostas de São Paulo : ele mora em casa própria na periferia; ela aluga apartamento no centro.
Eles representam a regra da cidade no quesito moradia. Quase metade dos domicílios na região central da capital paulista é alugada, enquanto bairros mais afastados têm até 80% dos espaços com moradia própria. O levantamento é da Folha a partir de microdados liberados pelo IBGE em relação ao Censo 2022 .
Ao todo, quatro vizinhanças ("áreas de ponderação", segundo o IBGE) têm mais domicílios com locatários do que proprietários: região da rua Frei Caneca e avenida Nove de Julho (58,4%), Baixada do Glicério (56,5%), República (55,2%) e conjunto da Vila Buarque e entorno da rua Augusta (52,2%).
Os primeiros colocados em moradia própria estão em áreas mais afastadas do centro. São elas: Santa Etelvina (80,6%), Conjunto José Bonifácio - Sul (79,2%) e região da Encosta Norte e Cidade Kemel (77,6%), no extremo leste; City Jaraguá e Parque Nações Unidas (77,5%), na zona norte; e Parelheiros Rural (76%), no extremo sul.
A divisão em áreas de ponderação foi elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em conjunto com a prefeitura, como uma subdivisão de distritos da cidade. É um recorte territorial semelhante ao de bairros, que considera população e características locais.
Os dados são estimados a partir de amostragem. O levantamento não considerou unidades vagas ou que não são residência fixa. Além disso, não diferencia imóveis formais e irregulares.
Como comparativo, na vizinhança com maior predominância de aluguel, a renda média dos domicílios com locatários é de R$ 9.497,76. Esse montante é mais do que o triplo da renda dos moradores de casa própria na primeira colocada no quesito, Santa Etelvina, na zona leste, que é de R$ 3.079,33.
Os valores são nominais e referentes à data de realização da pesquisa, 1º de agosto de 2022. Na média geral da cidade, a situação é distinta: famílias no aluguel têm renda de R$ 6.601,63, menor do que aquelas que vivem no próprio imóvel, que é de R$ 7.710,48.
Dados gerais divulgados pelo IBGE em 2024 já haviam apontado um crescimento geral do aluguel, tendência que tem se fortalecido desde 2000 . Antes disso, a partir dos anos 1940, políticas habitacionais e crises financeiras levaram a população brasileira a ver a casa própria como principal patrimônio almejado.
Os novos dados mostram como o centro está consolidado como região com predominância do aluguel, segundo Beatriz Rufino, coordenadora do LabHab (Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos) e professora da USP (Universidade de São Paulo). Ela associa essa característica, em parte, à concentração de transporte, empregos, serviços e lazer.
Por outro lado, ressalta que o aluguel avança também na periferia, inclusive na informalidade. Isso ocorre especialmente em locais com ocupação mais consolidada, em que moradores constroem novos pavimentos e puxadinhos como fonte de renda.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.