Dólar dispara após eleição: ainda vale a pena investir nos Estados Unidos?
A disparada do dólar e a forte queda da Bolsa brasileira após o segundo turno das eleições presidenciais colocaram os investimentos internacionais novamente no radar dos brasileiros.
Em meio à turbulência, quem já tinha parte do patrimônio aplicado nos Estados Unidos viu a valorização da moeda americana ajudar a proteger o valor de sua carteira em reais.
Para quem pretende começar a investir no exterior, entretanto, o cenário é mais desafiador: com o câmbio elevado, comprar ações e fundos negociados em Wall Street ficou mais caro.
No primeiro pregão após as eleições, o dólar chegou a subir mais de 12% durante a sessão, segundo Ruben Guerrero, CEO da Webull Brasil e diretor da corretora para a América Latina.
O movimento representou a maior valorização intradiária da moeda americana desde janeiro de 1999.
Na mesma sessão, o Ibovespa chegou a registrar queda de 10%, levando a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte desvalorização.
Para Guerrero, a reação dos mercados evidencia a importância de distribuir os investimentos entre diferentes moedas e regiões, mas também exige cautela de quem pretende enviar recursos ao exterior.
“Quem já tinha dólar na carteira ganhou um colchão; quem ia começar agora paga mais caro para entrar”, afirma.
Isso acontece porque a rentabilidade dos investimentos internacionais depende de dois fatores: o desem penho dos ativos em dólar e a variação da moeda americana em relação ao real.
Quando o dólar sobe, o valor em reais dos investimentos mantidos no exterior aumenta, mesmo que as ações não tenham apresentado valorização.
O movimento contrário também é possível: uma recuperação do real pode reduzir os ganhos obtidos no mercado americano.
Continua após a publicidade Vale a pena investir nos Estados Unidos agora? Apesar das oscilações cambiais, Guerrero avalia que tentar identificar o momento ideal para investir no exterior pode ser uma estratégia arriscada.
Isso porque o comportamento do dólar depende de uma combinação de fatores econômicos e políticos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Para o executivo, a decisão de ampliar a exposição internacional deve considerar os objetivos financeiros, o prazo dos investimentos e a tolerância ao risco de cada pessoa.
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