Mário Filho usou as páginas do Jornal dos Sports para defender a construção do Maracanã
Pesquisando o acervo do Jornal dos Sports , que marcou época no país, é inevitável não esbarrar nas colunas de Mário Filho. Ele comprou o periódico em 1936, cinco anos depois da fundação. O jornalista era o maior “cabo eleitoral” da construção do Maracanã. Em meados dos anos quarenta, mesmo antes do Brasil ser escolhido como sede da Copa de 1950, começou o debate sobre a necessidade da grandiosa obra para mais de 150 mil pessoas.
Em 1947, Mário Filho escreveu: “(…) Basta boa vontade para que surja o estádio nacional. (…) É preciso reconhecer que a CBD [atual CBF] não cruzou os braços diante da responsabilidade que assumiu de organizar e promover o campeonato do mundo. Pelo contrário: a CBD trabalhou sem descanso, procurando demover os obstáculos que se levantam para a construção do estádio nacional. (…) É preciso que se continue a agitar a opinião pública através de um amplo debate sobre o estádio nacional. (…) .” Na época, os críticos do estádio ressaltavam que o Brasil era um país pobre e deveria investir recursos em saúde e educação.
O estádio começou a ser construído em agosto de 1948 e os defensores da
obra mandavam recados para os pessimistas. Em uma das colunas mais célebres de Mário Filho, o jornalista escrevia em primeira pessoa e intitulava assim um artigo: “ Eu, o ‘Jornal dos Sports’ e o Estádio Municipal ”. Naquelas páginas, publicadas em 17 de março de 1949, ele contou que escalava um fotógrafo para levar, a cada semana, ao responsável pela administração da futura praça de esportes, cerca de cinquenta imagens da construção. Na avaliação de Mário Filho, era uma forma de fazer propaganda do estádio: “ (…) Assim, o público poderia ver o estádio brotando da terra seca, saindo do chão, crescendo, ganhando corpo (…)”.
O jornalista dizia que tinha orgulho de publicar as fotos da evolução da obra. Ele negava acusações de que estivesse ganhando dinheiro para defender com unhas e dentes o “Colosso do Derby”: “(…) Como se só o dinheiro justificasse o entusiasmo. (…) Há gente que pensa assim. Que confunde interesse com entusiasmo. (…) O estádio paga-me de tudo: e num acerto de contas, confesso que fico devendo ainda. (…) Espanta-me que se ache tal motivo insuficiente. Pois para mim não foi preciso outro. Nem era preciso outro (…) pois considerava o estádio a maior obra já empreendida para o desenvolvimento do esporte carioca. E do esporte brasileiro, pois o Rio de Janeiro é o coração do Brasi l”.
O Maracanã foi inaugurado em 16 de junho de 1950, oito dias antes da abertura da Copa e um mês antes da seleção perder o jogo decisivo para o Uruguai e deixar escapar o inédito título mundial. Em 1966, quando Mário Filho morreu, surgiu a iniciativa de dar o nome dele ao estádio. O irmão Nelson Rodrigues foi um dos idealizadores e a Rádio Globo fez ampla campanha com o narrador Waldir Amaral.
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