Fim da 6x1 abrange mais de 685 mil trabalhadores formais de MS
A transição para a escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso (5x2), aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14) - ao colocar fim à jornada 6x1 - tem potencial de reconfigurar a rotina de mais de 685 mil empregados, considerando o mercado formal, o dos que têm carteira assinada em Mato Grosso do Sul.
A nova regra muda um padrão que já durava 83 anos, desde que a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) entrou em vigor, no ano de 1943, no governo Getúlio Vargas, um trabalhista histórico.
O dado considera a estatística mais recente do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego, de agosto de 2026, sobre o número de trabalhadores sul-mato-grossenses com carteira assinada, submetidos ao expediente de 44 horas semanais, normalmente segunda-feira a sábado, com folga aos domingos.
A maioria desses trabalhadores está em Campo Grande, que concentrava, em agosto, 236.926 trabalhadores no mercado formal, o equivalente a mais de um terço de toda a força produtiva estadual.
Em Dourados, principal centro econômico da região Sul, são 67.626 empregados registrados a serem enquadrados na mudança de jornada.
Na Costa Leste, o polo industrial de Três Lagoas soma 46.917 empregados nas regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Na região pantaneira, Corumbá contabiliza 19.537 carteiras assinadas, enquanto, na fronteira com o Paraguai, Ponta Porã registra 13.835 trabalhadores formais.
Serviços e Comércio lideram o volume de trabalhadores por setor Ao analisar o mercado de trabalho estadual por setores econômicos, a prestação de serviços e o comércio têm a maior quantidade de funcionários abrangidos pela mudança na jornada: Serviços: 252.238 Comércio: 152.262 Indústria: 134.729 Agropecuária: 101.036 Construção: 45.080 O que muda - A PEC 221/2019 (Proposta de Emenda à Constituição) promove uma reformulação estrutural na jornada de trabalho no Brasil, fixando o limite máximo semanal em 40 horas e estabelecendo o repouso semanal remunerado em dois dias, um deles preferencialmente aos domingos.
Com isso, o texto extingue o modelo de seis dias seguidos de trabalho por um de descanso, a chamada escala 6x1, sem permitir qualquer redução salarial ou alteração proporcional nos pisos da categoria.
Para permitir a adaptação do mercado, a transição será gradual: dois meses após a publicação da emenda, a carga horária cai para 42 horas semanais; um ano e dois meses depois, chega ao limite definitivo de 40 horas.
Durante essa etapa intermediária, acordos ou convenções coletivas poderão ampliar a jornada diária para acomodar o limite de 42 horas, desde que as 2 folgas semanais sejam preservadas.
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