PF investiga elo de esquema que beneficiou Canella com empresas ligadas ao PCC
A oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira, 15, pela Polícia Federal , aponta indícios de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado 7,6 bilhões de reais por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro e beneficiado políticos e agentes públicos, entre eles o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), que conquistou a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Rio nesta eleição.
Segundo a PF, o grupo usou empresas de fachada e laranjas para ocultar a origem dos recursos.
Documentos apreendidos também apontam repasses de dinheiro ao político, que teria atuado como principal articulador político da organização criminosa.
A própria operação dos postos é tida pelos investigadores como irregular, porque há indícios de que os estabelecimentos funcionavam em desacordo com as normas legais, em conluio para definir preços artificialmente e neutralizar a concorrência.
A PF também aguarda resultados de perícias sobre a qualidade dos combustíveis, suspeitos de serem adulterados.
A investigação teve como ponto de partida informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Um relatório de inteligência identificou 7.644.497.752 reais em movimentações consideradas atípicas entre maio de 2020 e março de 2026, envolvendo 835 pessoas físicas e jurídicas implicadas em 2.171 comunicações de operações suspeitas.
Desse montante, cerca de 310 milhões de reais foram depositados em dinheiro vivo, em 1.989 operações.
Os investigadores acreditam que o grupo escolheu o mercado de combustíveis para lavar dinheiro em razão do grande volume de transações em espécie, que facilitaria a mistura de receitas legítimas e ilícitas.
A rede investigada inclui dezenas de postos em Niterói, São Gonçalo e na Região dos Lagos.
Embora os estabelecimentos estivessem formalmente registrados em nome de uma rede de pessoas, a PF suspeita que o controle dos negócios era exercido por um número restrito de operadores.
Continua após a publicidade Duas das principais suspeitas de atuar como laranjas são Luana Oliveira e Luisi Corrêa Pinho, que constam como sócias de mais de vinte postos de gasolina.
A evolução patrimonial delas chamou a atenção dos investigadores.
Luana, por exemplo, tinha vínculos de trabalho com remuneração de 1.800 reais até 2021, mas passou a deter participações em empresas com capitais sociais milionários.
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