Comissária de 23 anos caiu 10.160 metros sem paraquedas em 1972 após um DC-9 se partir sobre a Tchecoslováquia e Vesna Vulović sobreviveu presa dentro da fuselagem que caiu sobre uma encosta coberta de neve
Uma combinação excepcional de fuselagem, terreno, neve e resgate transformou a única sobrevivente do voo JAT 367 em recordista mundial
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Em 26 de janeiro de 1972, o voo JAT 367 se desintegrou no ar sobre a então Tchecoslováquia. Entre as 28 pessoas a bordo, apenas Vesna Vulović sobreviveu. A comissária de bordo, de 23 anos, permaneceu presa numa seção da fuselagem durante uma queda oficialmente registrada em 10.160 metros. O Guinness World Records ainda reconhece o episódio como a maior queda sobrevivida sem paraquedas.
Segundo a reconstrução aceita pelo Guinness, uma explosão ocorreu no compartimento de bagagens cerca de 46 minutos após a decolagem de Copenhague. O McDonnell Douglas DC-9 se partiu em três grandes seções durante o voo, enquanto passageiros e outros tripulantes foram lançados para fora após a despressurização.
Vesna permaneceu na seção principal da fuselagem, presa por um carrinho de serviço. Essa circunstância provavelmente impediu que fosse ejetada do avião e fez com que ela chegasse ao solo ainda protegida parcialmente pelos destroços. O mecanismo exato de sua sobrevivência, porém, não pode ser reduzido a um único fator.
A seção da fuselagem caiu em uma região arborizada próxima a Srbská Kamenice e atingiu uma encosta coberta por neve. Segundo o Guinness, o ângulo favorável do terreno, a vegetação e a camada de neve provavelmente contribuíram para aumentar a distância de desaceleração e dissipar parte da enorme energia do impacto.
Isso não significa que a neve, sozinha, pudesse tornar segura uma queda dessa magnitude. O ponto decisivo é que Vesna não caiu livremente como um corpo isolado durante toda a trajetória: estava dentro de uma seção do avião, sujeita a uma combinação muito específica de orientação, deformação da fuselagem e características do terreno.
Este vídeo oficial do Guinness World Records reconstrói a queda e explica por que o caso continua reconhecido como recorde.
A sobrevivência não significou escapar sem consequências graves. Vesna sofreu fratura no crânio, vértebras quebradas e outras lesões importantes. Ela passou 27 dias em coma e permaneceu hospitalizada por aproximadamente 16 meses, segundo o Guinness World Records.
Também apresentou paralisia temporária da cintura para baixo, mas recuperou a capacidade de caminhar. A recuperação prolongada tornou o caso ainda mais extraordinário, porque a sobrevivência ao impacto foi seguida por um processo médico complexo que permitiu que ela retomasse uma vida relativamente independente.
O valor de 10.160 metros vem do relatório oficial do acidente e continua sendo a base do recorde reconhecido pelo Guinness. Em 2009, jornalistas levantaram a hipótese de que o avião poderia ter se desintegrado numa altitude muito menor após uma descida de emergência, mas a própria investigação foi baseada em evidências circunstanciais.
Por isso, o registro oficial não foi alterado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.