Norte-coreanos são 'vendidos' para fábricas de guerra na Rússia, diz ONG
Trabalhadores norte-coreanos enviados à Rússia atuam em fábricas ligadas à guerra contra a Ucrânia sob condições de exploração, afirma a Global Rights Compliance. Segundo a ONG, a rede de intermediários explora trabalhadores para financiar o programa de mísseis da Coreia do Norte e fortalecer a economia de guerra da Rússia.
Uma rede russa de intermediários leva os trabalhadores à Rússia com patrocínio do governo norte-coreano, segundo o relatório. A investigação afirma que o esquema viola sanções da ONU e gera recursos para o governo da Coreia do Norte. Os intermediários recebem comissão de até 150 mil rublos (cerca de R$ 9 mil, conforme cotação atual) por trabalhador, diz a organização.
Estes trabalhadores seriam anunciados online, conforme a investigação realizada pela ONG. Estima-se que mais de 50 mil funcionários norte-coreanos estejam na Rússia.
Os norte-coreanos entram no país com vistos de estudante e, depois, são contratados por empregadores russos. "Em 2025, a Rússia emitiu 36.413 vistos para norte-coreanos, um número aproximadamente quatro vezes maior do que em 2024. Mais de 98% desses vistos foram para fins de estudo", diz o relatório.
De acordo com a Global Rights Compliance, o trabalho forçado no exterior gera, atualmente, entre US$ 450 milhões e US$ 800 milhões para a Coreia do Norte. Este valor é equivalente a mais de R$ 4 bilhões.
O Conselho de Segurança da ONU proibiu em 2017 a contratação de trabalhadores norte-coreanos no exterior e determinou seu retorno ao país. A medida foi aprovada após o sexto e último teste nuclear norte-coreano.
A Global Rights Compliance diz ter identificado funcionários da embaixada norte-coreana em Moscou inspecionando locais de trabalho para possíveis contratações. "Esses trabalhadores não saem baratos, mas pouco, se algum dinheiro, chega até eles", afirmou Dylan Carter, investigador da organização.
O governo norte-coreano fica com grande parte dos salários pagos aos trabalhadores, sustenta o relatório. "Em vez disso, o dinheiro vai para os cofres do Estado norte-coreano", completou Carter. 90% dos rendimentos dos trabalhadores são enviados ao regime norte-coreano.
Um dos dois russos apontados como figuras centrais da rede negou as acusações à entidade. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia e a embaixada norte-coreana em Moscou não responderam aos pedidos de comentário.
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