Análise: Himalaia é imprevisível, mas construções na região só aumentam
Enchentes fatais ao longo da fronteira entre a China e o Nepal trouxeram à tona a crescente ameaça de desastres naturais no Himalaia, justamente quando os países da região expandem rapidamente sua infraestrutura em grandes altitudes.
Não há indícios de que o desastre mais recente – que deixou mais de 600 mortos e cerca de 2.500 desaparecidos em ambos os lados da fronteira – tenha relação com obras de infraestrutura humana.
No entanto, a devastação pode servir de alerta para os governos que impulsionam uma onda de construções de barragens, túneis, rodovias, ferrovias e pontes na região do Himalaia , buscando aproveitar seu vasto potencial hidrelétrico e seus recursos – além de reforçar suas fronteiras na área.
Nenhum país mobilizou esforços nessa escala como a China , onde o governo considera o Tibete – e suas regiões fronteiriças no Himalaia – elementos cruciais para a segurança nacional e energética.
Pequim pretende transformar a região em um polo de energia verde em grandes altitudes, com projetos que incluem uma megabarragem de US$ 168 bilhões – atualmente em construção – capaz de levar a engenharia humana a novos limites.
E não é apenas a China.
A Índia e, em menor grau, o Nepal têm investido intensamente em infraestrutura nos últimos anos, destinando centenas de milhões de dólares a obras em uma região do mundo extremamente vulnerável a terremotos, desastres naturais e mudanças climáticas.
Nepal: Por que morar perto de uma geleira se tornou um risco mortal? Nepal: centenas de corpos não identificados serão enterrados em vala comum Diversos fatores podem provocar nova enchente no Nepal, diz especialista Na manhã de quarta-feira (26), essas vulnerabilidades ficaram tragicamente evidentes quando parte de uma geleira se desprendeu de uma montanha, provocando um deslizamento de terra de grande proporção e liberando uma torrente de água que submergiu edifícios e destruiu vilarejos, estradas, pontes e usinas hidrelétricas, resultando em um saldo de vidas perdidas ainda desconhecido.
As operações de resgate em ambos os lados têm sido arriscadas devido à ameaça de desastres secundários , como inundações e deslizamentos causados por represamentos naturais formados por detritos.
Na sexta-feira (28), uma reunião da cúpula do Partido Comunista Chinês, liderada por Xi Jinping , ressaltou os “enormes desafios para as operações de resgate e resposta a emergências” decorrentes da presença de “inúmeras geleiras, lagos glaciais e potenciais riscos geológicos”, bem como das condições climáticas variáveis.
Pessoas caminham sobre uma ponte suspensa para atravessar o rio Trishuli, que está inundado, em Bhaise, Nuwakot, Nepal, em 8 de julho de 2025.
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