Diagn�stico n�o � salvo-conduto moral
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Numa postagem nas redes sociais, uma usuária que se autodeclarava "esposa atípica", por ser casada com um autista nível 2 de suporte que teria sido diagnosticado havia pouco tempo, afirmou que o marido "entrou em crise, soltou palavrões, deu murro na parede e gritou". Não fica claro se as atitudes foram contra ela. Ela, porém, justifica o destempero dizendo que é preciso compreender a violência, uma vez que o homem havia entrado em crise, algo que seria inerente à condição neurológica dele.
De fato, segundo especialistas , autistas podem ter perda temporária de controle de algumas atitudes diante de sobrecarga sensorial, emocional, comunicacional. Uma desregulação pode envolver gritos, agressão, autoagressão ou destruição de objetos, mas a existência desse fenômeno não permite atribuir automaticamente ao autismo um comportamento violento.
Daí a importância, principalmente para crianças, das salas de descompressão , que têm ganhado mais espaço em ambientes públicos no Brasil. Nesses locais, autistas e pessoas com outras neurodivergências podem se organizar para fazer interações de forma mais tranquila.
O problema em tudo isso é quando se começa a misturar características de uma deficiência, seja ela física, intelectual, sensorial, com caráter, com valores morais e éticos. Agredir alguém numa discussão e, em seguida, sacar um laudo médico me parece bem pouco defensável.
Uma pessoa com deficiência pode ser, igual a qualquer outro vivente, oportunista, mau-caráter, farsante, violenta, larápia, enganadora, grosseira e demais adjetivos desabonadores. Quem lança mão de sua condição como escudo social para situações que nada têm a ver com aspectos inerentes a ela está praticando o chamado "coitadismo".
Com um contingente cada vez maior de pessoas tendo reconhecidas suas condições de deficiência, sobretudo nas neurodivergências , é importante que se reforce que, embora a empreitada contra o capacitismo –o preconceito contra pessoas com deficiência— seja tema central de inclusão, nem tudo é discriminação, nem tudo é ação que desconsidera formas de ser e nem tudo é direito.
Vejo com preocupação autistas sem comprometimentos que justifiquem o uso de vagas reservadas reivindicarem esses espaços apenas por terem, legalmente, uma deficiência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.