Problemas de audição não afeta só os ouvidos: entenda os impactos no cérebro e no equilíbrio
Perda de audição não afeta só os ouvidos: entenda os impactos no cérebro e no equilíbrio Pesquisa da USP acompanha 805 funcionários para investigar relação entre perda auditiva e declínio cognitivo.
Estudo também começou a avaliar possível associação entre dificuldades para ouvir e alterações no equilíbrio.
A perda auditiva pode ir muito além da dificuldade para acompanhar uma conversa.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estudam a relação entre problemas de audição, declínio cognitivo e alterações no equilíbrio.
Os primeiros resultados reforçam a importância de identificar e tratar dificuldades auditivas.
No estudo, 805 funcionários da universidade passam por audiometrias e testes cognitivos.
As avaliações são repetidas a cada dois ou três anos para que os pesquisadores possam comparar a evolução dos participantes.
Segundo a fonoaudióloga Alessandra Sameli, que lidera a pesquisa, as pessoas que apresentavam perda auditiva tiveram um declínio cognitivo mais rápido.
Por que a perda auditiva pode afetar o cérebro? A audição começa quando as ondas sonoras entram pelo ouvido e fazem o tímpano vibrar.
Os estímulos passam pelos ossículos do ouvido médio até chegar à cóclea, uma estrutura em formato de caracol onde células especializadas captam as diferentes frequências.
As informações seguem então pelo nervo auditivo até o cérebro, que interpreta os sons e elabora uma resposta.
Por isso, quando a capacidade de ouvir diminui, o cérebro pode precisar trabalhar mais para interpretar aquilo que está sendo dito.
Segundo o otorrinolaringologista Luciano Moreira, se essa "porta de entrada" das informações fica parcialmente fechada, habilidades relacionadas à linguagem podem ser prejudicadas.
A pesquisadora Alessandra explica ainda que o cérebro pode se reorganizar diante da perda auditiva e sobrecarregar outras áreas.
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