MPE recua e pede para barrar candidatura de Rueda no Rio
O Ministério Público Eleitoral defendeu vetar a candidatura de Antônio Rueda (União Brasil) a deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Procuradoria Regional Eleitoral afirma que Rueda se beneficiou de uma estrutura político-territorial ligada a organizações paramilitares na Baixada Fluminense. Para o órgão, lideranças locais associadas a milícias poderiam ter usado mobilização territorial e coerção em favor do candidato.
A nova manifestação foi enviada ao TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio) na última sexta-feira . O parecer ainda será analisado pelo TRE-RJ e não representa uma decisão definitiva sobre o registro.
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Parecer mudou a posição inicial do Ministério Público Eleitoral, que havia se manifestado pela liberação do registro. Na primeira avaliação, a Procuradoria considerou insuficientes as acusações baseadas em reportagens e certidões comuns.
Mudança ocorreu após o TRE-RJ suspender o julgamento e pedir documentos a órgãos públicos. O tribunal buscou dados da Polícia Federal, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e da Prefeitura de Belford Roxo.
Procuradoria sustenta que ex-secretários de Belford Roxo barrados de disputar a eleição em 2024 mantiveram atuação política na campanha de Rueda e Márcio Canella . Eduardo Araújo e Fabinho "Varandão" tiveram candidaturas barradas por condenações relacionadas a organizações paramilitares ou milícias.
Araújo não foi afastado do grupo político mesmo após ser barrado pela Justiça Eleitoral, segundo a procuradoria . O ex-secretário estaria atuando de forma direta, ostensiva e pública na promoção eleitoral de Rueda, com postagens em redes sociais promovendo Rueda e Canella.
Campanha de Rueda na Baixada Fluminense é estruturada e operacionalizada por Varandão . A procuradoria diz que Varandão é acusado de integrar milícia armada, realizar extorsões violentas e ameaças de morte contra comerciantes. Além disso, ele exerce o controle bélico e o monopólio da distribuição de sinal de internet em bairros de Belford Roxo.
MPE diz que autorizar o registro poderia representar uma forma indireta de contornar regra constitucional contra a influência de organizações paramilitares nas eleições . "Os impugnantes afirmam que a candidatura de Antônio Rueda ao cargo de Deputado Federal em 2026 assenta-se em uma engrenagem político-territorial indissociável estabelecida na Baixada Fluminense, capitaneada pelo prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e integrada de forma ativa por conhecidos chefes de milícias armadas locais."
Rueda nega ter cometido irregularidades e diz que não há condenação, denúncia ou indiciamento criminal contra ele. A defesa afirma que os dois apoiadores agiram por iniciativa própria nas redes sociais e que atos de terceiros não podem impedir o registro da candidatura.
A defesa também afirma que as informações enviadas ao TRE-RJ não confirmaram coerção territorial em favor de Rueda e Canella.
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