Mãe e filha recém-nascida morrem dias após parto no RJ; polícia investiga
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte de Jéssica Duarte Gonçalves, 28, após o parto da filha no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A bebê, Jade Duarte de Moura, de apenas nove dias, também morreu. A família alega negligência por parte da unidade de saúde.
Jéssica deu entrada no hospital em 8 de setembro, para o nascimento de Jade, sua terceira filha. Familiares de Jéssica afirmam que a gravidez ocorreu sem intercorrências e que o parto foi normal.
Algumas horas após o parto, a mulher começou a sentir muitas dores abdominais. O marido dela, Jonathan Vieira de Moura, afirmou ao programa RJTV 2, da Rede Globo, que ela não passou por exames de imagem para investigar essas dores. A equipe médica teria atribuído o quadro a gases e prescreveu dipirona.
Olharam minha mulher e falaram assim: 'bota ela no soro e dá dipirona'. Entrou uma senhora na sala, olhou ela, enfiou a mão nela e começou a tirar umas coisas, coágulo. Aí falou para ela assim: 'nossa, deixaram isso dentro de você?'. E nada de melhorar, a dor piorando, piorando. A médica foi, bateu na barriga dela, falou que era gases. Jonathan Vieira de Moura, marido de Jéssica e pai de Jade, em entrevista ao RJTV 2
Mãe recebeu alta 48 horas após o parto, mesmo inchada e com dores. Ela foi para a casa, mas voltou à unidade de saúde cerca de uma hora depois, em estado grave, quando foi intubada e transferida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, onde passou por cirurgia de emergência para retirada dos ovários e do útero.
Jéssica morreu no domingo, cinco dias após o parto. Conforme informou a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ) ao UOL , ela recebeu cuidados intensivos na UTI, mas não resistiu. A unidade não detalhou a causa da morte, visto que as informações são restritas aos familiares. Ela deixa outros dois filhos, de 9 e de 4 anos.
A bebê também não resistiu e morreu na manhã de hoje, nove dias após o nasciemnto. Jade estava internada na UTI neonatal do Hospital Municipal Albert Schweitzer desde terça-feira, após apresentar febre, segundo a SMS-RJ. A unidade também não detalhou a causa da morte da criança.
Hospital afirma que Jéssica passou por todas as avaliações indicadas e que está revisando o atendimento prestado. Em nota ao UOL , a direção do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro afirmou que o parto não teve complicações e que a paciente foi medicada após queixar-se de dor.
Segundo a unidade, Jéssica apresentava boas condições gerais — o que a família contesta. O hospital disse ainda que a mulher recebeu alta "sem queixas que indicassem sinal de gravidade". Marido nega e diz que esposa "não melhorou". "Por que não fizeram os exames que tinham que ser feitos na hora, quando ela estava após o parto sentindo muita dor?", questionou.
Investigação está em andamento na 34ª DP (Bangu). A Polícia Civil informou ao UOL que diligências estão sendo realizadas para apurar e esclarecer os fatos.
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