Deskilling: o piloto automático que atrofia o piloto
Em 2009, o voo 447 da Air France, do Rio de Janeiro para Paris, caiu no Atlântico com 228 pessoas a bordo.
Os sensores de velocidade congelaram, o piloto automático se desligou e devolveu o avião à tripulação.
A pane durou menos de um minuto, mas os pilotos, profissionais experientes, não conseguiram conduzir manualmente uma situação que estava ao alcance da formação deles.
A investigação apontou, entre os fatores do acidente, a pouca preparação para voar sem a automação.
Eles tinham milhares de horas de voo, só que a maior parte delas passada observando o sistema voar.
Esse fenômeno tem nome: deskilling, a perda de uma habilidade por falta de uso.
A competência estava lá, um dia.
Deixou de ser exercitada e se deteriorou de um jeito particularmente perigoso: em silêncio.
Ninguém percebe a perda, porque a automação cobre a lacuna todos os dias.
Ela só aparece quando a automação sai de cena, que é justamente o momento mais difícil.
A aviação aprendeu a lição, e a resposta dela é instrutiva.
Ninguém propôs desligar o piloto automático, uma das maiores conquistas de segurança da história do transporte.
As autoridades passaram a recomendar que os pilotos voassem manualmente com mais frequência.
A resposta foi programar, de forma deliberada, o uso das mãos.
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