Pai do rádio, padre Roberto Landell de Moura foi acusado de fazer experimentos "diabólicos"
Em janeiro de 1903, um repórter do jornal The Evening World perguntou a Guglielmo Marconi, celebrado como o inventor do rádio: é possível que um dia tenhamos um telefone cujo sinal viaje sem fios? A resposta: “Talvez para pequenas distâncias.
Eu não acredito que jamais se consiga energia suficiente para telefonar sem fio a grandes distâncias”.
Mal sabia ele que, muito longe dali, no Brasil, experimentos do tipo já estavam sendo realizados com bastante sucesso.
E o responsável era ninguém menos que um padre inventor brasileiro: Roberto Landell de Moura (1861-1928).
No dia 16 de julho de 1899, Padre Landell realizou o que é, para muitos historiadores, a primeira transmissão de voz humana e sons musicais por ondas de rádio da história da humanidade.
Antes, essas ondas — então geralmente descritas como “ondas eletromagnéticas” ou “ondas hertzianas” — eram usadas principalmente para transmitir sinais telegráficos, isto é, informação codificada em pulsos.
A transmissão de áudio foi feita entre o Colégio das Irmãs de São José, no bairro de Santana, em São Paulo, onde Moura era pároco, até a Ponte das Bandeiras, a cerca de quatro quilômetros de distância.
“Toquem o Hino Nacional”, disse o padre na transmissão, ao que foi prontamente atendido.
O evento ocorreu 23 anos antes da primeira transmissão oficial de rádio no Brasil, em 7 de setembro de 1922.
Moura fez outra demonstração em São Paulo no ano seguinte, desta vez até a Avenida Paulista, a oito quilômetros de distância.
Decidido a patentear sua invenção, foi aos EUA em 1901, onde permaneceu por três anos e meio.
Estas são as patentes que ele registrou: 1901 - Brasil - Aparelho de transmissão à distância com fio e sem fio 1904 - EUA - Transmissor de ondas (“wave transmitter”) 1904 - EUA - Telefone sem fio (“wireless telephone”) 1904 - EUA - Telégrafo sem fio (“wireless telegraph”) Além disso, Moura também rascunhou diversos outros projetos, como o “telephotorama”, um protótipo de transmissão de imagem à distância, como se fosse uma TV primitiva.
Desconfiança e falta de apoio Segundo seu biógrafo, o jornalista Hamilton Almeida, a viagem aos EUA tinha como objetivo levantar fundos para que o padre pudesse dar prosseguimento às suas pesquisas.
“Ele solicitou recurso, mas ninguém deu apoio nenhum.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.