Correios agora recebem lixo eletrônico gratuitamente em mais de 6 mil agências
Os Correios anunciaram ontem (14/10), Dia Internacional do Lixo Eletrônico, um serviço de coleta gratuita de eletrônicos descartáveis em 6.868 agências espalhadas pelo Brasil.
A iniciativa, batizada de Balcão do Cidadão , é realizada em parceria com a Circular Brain e encaminha os materiais coletados para recicladores homologados.
O timing não é por acaso, pois o Brasil produz mais de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, e apenas 3% desse volume vai parar em algum tipo de coleta oficial, segundo dados da Global E-waste Statistics Partnership (UIT/Unitar).
O funcionamento é direto: o usuário separa os eletrônicos em uma caixa, leva até uma agência que ofereça o Balcão do Cidadão, informa nome, endereço, CPF, telefone e e-mail, e o atendente cuida do fechamento e do encaminhamento.
Não há necessidade de agendamento prévio.
Ao final do processo, o cidadão recebe um comprovante do descarte.
O limite de peso aceito pela estatal é de 30 kg por entrega.
O que entra na caixa e o que fica de fora A lista do que pode ser descartado é ampla e inclui celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido, cabos, caixas de som, controles, microfones, monitores e TVs estão todos dentro do escopo.
Para itens que ultrapassem o limite de 30 kg, os Correios não fazem a coleta, mas a própria Circular Brain oferece um serviço alternativo de retirada.
Outra saída é acionar diretamente o fabricante do equipamento: a Política Nacional de Resíduos Sólidos obriga empresas responsáveis pela fabricação e distribuição de eletrônicos a garantirem soluções de descarte correto para seus consumidores, o que significa que operadoras e fabricantes de tecnologia também precisam ter pontos de coleta disponíveis.
Por que o descarte no lixo comum é um problema real Para além da questão regulatória, jogar eletrônicos no lixo comum cria um problema químico concreto.
A decomposição de pilhas e baterias libera metais pesados no solo, que podem atingir rios e afluentes e causar doenças em humanos, conforme aponta a Superintendência de Gestão Ambiental da USP.
Não é uma preocupação hipotética: o risco é direto e proporcional ao volume descartado de forma incorreta.
O argumento da indústria: matéria-prima desperdiçada Do lado da cadeia produtiva, o argumento para o descarte correto é igualmente sólido.
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