É para comparar (por Mary Zaidan)
Possivelmente pela perigosa proximidade do adversário nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula anunciou reajuste no Bolsa Família a dias da eleição.
Os riscos da medida, que além do desgaste de ser incontestavelmente eleitoreira tem chance razoável de não “chegar a tempo” ao eleitor, pode vir a ser compensada se jogar luzes sobre o benefício, marca de impacto de Lula, em vigor há 23 anos.
A despeito das críticas, a equipe do presidente-candidato aposta que, assim, traz o debate para o seu campo, desnudando o seu opositor, que nada teria para mostrar, nem mesmo atividade legislativa nos seus mais de sete anos como senador e outros 16 como deputado fluminense.
Eleito pelo Rio de Janeiro com 4,3 milhões de votos no mesmo ano em que seu pai chegou à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) teve uma atuação discretíssima no Senado.
Ao longo do tempo apresentou 67 propostas, tendo conseguido aprovar apenas uma – o PL 3.190 de 2023, prevendo limites diferenciados de taxas de juros dentro do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado.
Outras três iniciativas de sua autoria aguardam votação na Câmara: reciclagem de baterias de carros elétricos, regras para a formação de cadeias de transmissão em radiodifusão e a inclusão da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) entre as entidades que recebem recursos de loterias.
A maioria de seus projetos de lei versa sobre segurança, incluindo uso de armas e proteção de policiais, além da redução da maioridade penal, tópico que também aparece em seu programa de governo.
Mas nem no seu carro-chefe Flávio se destacou.
Presidente da Comissão de Segurança do Senado, faltou em 73% das sessões realizadas neste ano, sendo que apenas uma delas poderia ser justificada por agenda de campanha.
Não apareceu também para votar a proposta de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas, iniciativa derrotada no ano passado pela Casa.
A classificação ecoa Donald Trump e aparece com destaque no programa de governo e nos discursos do candidato.
Com 76 páginas, seu programa registrado no TSE é como um manual de magia.
Tem solução pronta para todas as coisas.
De olho no público feminino, eleitorado em que perde para Lula em todas as sondagens, Flávio propõe o Brasil por Elas, nome bonito para uma série de ações espetaculares que fazem valer a máxima de que “o papel aceita tudo”.
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