Arrecadação bate recorde de R$ 239 bilhões, mas perde força e acende alerta para as contas públicas
Arrecadação bate recorde de R$ 239 bilhões, mas perde força e acende alerta para as contas públicas A arrecadação federal alcançou R$ 239,4 bilhões em setembro, o maior valor já registrado para o mês.
Apesar do recorde, o crescimento das receitas perdeu força, passando de 8,25% em agosto para 5,62% em setembro, na comparação anual e já descontada a inflação.
Para a XP Investimentos, a desaceleração da economia começa a pesar sobre a entrada de recursos do governo, mesmo com a contribuição dos preços mais elevados do petróleo.
O resultado divulgado pela Receita Federal nesta quinta-feira (22) ficou próximo das expectativas do mercado, de R$ 239,6 bilhões, e da projeção da XP, de R$ 239 bilhões.
No acumulado de janeiro a setembro, a arrecadação chegou a R$ 2,351 trilhões, avanço real de 6,97%.
Entretanto, parte desse crescimento está relacionada a mudanças na tributação e a receitas extraordinárias.
Excluindo esses efeitos, as receitas administradas pela Receita Federal cresceram 3,69% em setembro, abaixo da expansão de 5,03% observada nesse mesmo grupo antes dos ajustes.
Petróleo ajuda a sustentar a arrecadação Segundo Tiago Sbardelotto, economista da XP, a arrecadação continua sendo beneficiada pelas medidas de aumento de receitas adotadas ao longo do ano, especialmente pela tributação sobre exportações de petróleo cru, pelos reajustes de impostos incidentes sobre importações e pela redução de benefícios tributários.
Somente em setembro, o imposto sobre exportações de petróleo bruto gerou R$ 2,9 bilhões.
No acumulado do ano, o recolhimento chegou a R$ 12,9 bilhões.
O setor de extração de petróleo e gás natural apresentou crescimento de 510,6% na arrecadação entre janeiro e setembro, influenciado também pela reclassificação das atividades de uma empresa do segmento.
Outras fontes de receita, porém, começam a mostrar sinais de enfraquecimento.
Em setembro, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos do trabalho recuou 6,7%, enquanto o IOF apresentou queda de 9,1%.
A XP relaciona esses movimentos, respectivamente, à ampliação da isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil e à provável redução das concessões de crédito.
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