Crise de moradia domina eleição em Berlim e vira teste para Merz
Os berlinenses andam de bicicleta, fazem piqueniques e soltam pipas nas antigas pistas de pouso do Tempelhofer Feld, um vasto parque urbano marcado pela era nazista e que, mais tarde, serviu de linha vital durante a Ponte Aérea de Berlim (1948-1949), quando os aliados ocidentais abasteceram a cidade bloqueada por via aérea.
Agora, o antigo aeródromo foi envolvido em uma crise diferente para a capital alemã , às vésperas da eleição de 20 de setembro — um pleito marcado, em grande parte, pelo debate sobre a disparada dos aluguéis e a necessidade urgente de novas moradias.
A questão de construir ou não habitações nas bordas do Tempelhofer Feld tornou-se um dos temas eleitorais mais visíveis e divisivos de Berlim, cristalizando um conflito mais amplo entre a grave escassez de moradias na cidade e a preservação de espaços verdes públicos.
Vitória da AfD na Alemanha é resultado de erros dos globalistas, diz Putin Após tensão com a Rússia, Alemanha sugere que Ucrânia compre armas alemãs Chanceler alemão cancela conversa com Trump por vitória da AfD Em uma cidade onde 85% das famílias vivem em imóveis alugados, habitação e aluguéis são, de longe, a maior preocupação dos eleitores berlinenses antes da eleição — citados por 32% dos entrevistados na mais recente pesquisa “BerlinTrend” do instituto Infratest dimap, superando com folga temas como imigração , criminalidade e transporte.
Após a vitória do partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) no estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país, a eleição — que ocorre no mesmo dia em que o estado vizinho de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental também vai às urnas — configura-se como o mais recente teste de apoio ao governo do chanceler Friedrich Merz , que enfrenta dificuldades.
O crescimento tem um lado negativo Na última década, o crescimento econômico de Berlim superou o desempenho lento da economia alemã como um todo, impulsionado principalmente pelo setor de serviços, que gera quase 90% da produção econômica da cidade.
Berlim tornou-se a capital das startups na Alemanha , ultrapassando Munique com cerca de 500 empresas fundadas a cada ano. No entanto, esse crescimento teve um custo, elevando os aluguéis à medida que a população da cidade aumentava.
Desde 2014 — quando quase dois terços dos eleitores de Berlim apoiaram um referendo para manter a área de Tempelhof em grande parte livre de novos empreendimentos imobiliários —, os valores anunciados dos aluguéis quase dobraram.
Aém disso, a cidade precisará de 211 mill novas moradias entre 2026 e 2040, segundo estimativas do governo local.
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