Grupo criminoso Tropa do Urso usava WhatsApp para tráfico e vigiar PM no ES
O grupo, chamado "Foco, força e fé", reunia lideranças, vendedores e olheiros da "Tropa do Urso" para informar sobre prisões, operações, viaturas, blitzes e deslocamentos policiais. As informações constam em três denúncias do Ministério Público do Espírito Santo contra 42 suspeitos.
As mensagens ajudavam o grupo a manter a distribuição de cocaína, crack, maconha, ecstasy e lança-perfume em cidades como Colatina, Serra, Cariacica, Aracruz e outras . Os investigados também guardavam armas e mudavam os locais de armazenamento conforme a movimentação policial, descreve a denúncia.
A Tropa do Urso é um grupo com ligação direta ao Comando Vermelho (CV). Algumas lideranças do grupo capixaba, inclusive, operavam à distância enquanto estavam hospedados no Rio de Janeiro.
Até o momento, 35 suspeitos tinham sido presos e sete permaneciam foragidos. Entre os apontados como chefes estão Bryan Lyrio Deolindo, Hugo Henrique dos Santos e Vinicius Lung, que estavam no Rio de Janeiro e comandavam o grupo à distância. Os membros do grupo criminoso foram alvos de mandados de prisão e de busca e apreensão por meio da Operação Churchill, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo.
Foram 42 mandados de prisão temporária expedidos. Foram apreendidas na operação armas de fogo, porções de crack, balanças de precisão e dinheiro em espécie. O inquérito policial está em fase de conclusão, de acordo com a polícia.
O UOL não conseguiu contato com os detidos. Havendo manifestação, este texto será atualizado.
A investigação aponta Colatina como centro das operações da Tropa do Urso, com pontos de venda e gerências locais. Serra era usada para abastecimento, São Roque do Canaã abrigava uma célula do grupo e a Grande Vitória servia como rota logística.
O Rio de Janeiro aparecia como origem de armas e drogas sintéticas e como local de refúgio das lideranças. A investigação que levou à Operação Churchill começou em 2025, e a ação foi deflagrada em julho de 2026.
Em abril de 2025, a Polícia Federal cumpriu 16 mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão contra integrantes da facção em Colatina e na Serra. Na ocasião, a PF informou que o grupo mantinha ligação com lideranças capixabas escondidas no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.
Em fevereiro de 2026, o grupo voltou a ser investigado depois que traficantes cortaram cabos de internet no bairro Operário, em Colatina. Segundo a Polícia Militar, a ação deixou cerca de 600 famílias sem conexão e buscava obrigar moradores a contratar um provedor clandestino controlado pelo grupo.
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