Cientistas reaproveitam resíduos de vinho para produzir flores comestíveis
O bagaço que sobra da produção de vinho pode ganhar uma nova finalidade na agricultura.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) transformaram o resíduo em um biofertilizante e descobriram que o material pode favorecer o cultivo da calêndula pôr do sol ( Calendula officinalis L. ), flor comestível que desperta interesse das indústrias de alimentos e cosméticos.
Publicado na revista científica ACS Omega , o estudo avaliou o uso agrícola do digestato, material rico em nutrientes obtido após a decomposição do bagaço por digestão anaeróbia , processo realizado por microrganismos na ausência de oxigênio.
O reaproveitamento pode dar uma nova finalidade a um dos principais resíduos da indústria do vinho.
O bagaço corresponde a cerca de 20% a 25% da massa da uva processada , com produção estimada entre nove milhões e 13 milhões de toneladas por ano no mundo.
“Utilizamos o bagaço da uva porque ele é um dos principais resíduos da produção de vinho e ainda possui uma composição muito rica em substâncias de interesse, como fibras, açúcares, compostos fenólicos, antioxidantes e pigmentos naturais.
Tem, portanto, um grande potencial para gerar novos produtos de alto valor agregado”, explicou Luiz Eduardo Nochi Castro, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, à Agência FAPESP.
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O objetivo era descobrir como a quantidade de biofertilizante, a disponibilidade de água e a estação do ano interferiam no crescimento e na composição das plantas.
Após a colheita, a equipe avaliou as flores, folhas, raízes e a parte aérea, além de analisar a composição bioquímica das flores.
De maneira geral, concentrações entre 20% e 30%, associadas a condições adequadas de irrigação, apresentaram os melhores resultados , enquanto aplicações excessivas prejudicaram a biomassa e o número de flores.
“Verificamos que a quantidade do composto [digestato] e de água faz diferença.
Doses moderadas proporcionaram os melhores resultados, enquanto quantidades excessivas tendiam a prejudicar o desenvolvimento das plantas.
Isso mostra que o uso do digestato deve ser feito de forma equilibrada”, afirmou Tânia Forster, professora da Unicamp e orientadora da pesquisa.
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