Enem: como treinar o foco e vencer a maratona dos textos longos
Acostumados a rolar a tela a cada 15 ou 30 segundos, os estudantes que se preparam para o Enem enfrentam um desafio que vai além do conteúdo das disciplinas: reaprender a sustentar a atenção diante de enunciados longos.
Para neurocientistas e especialistas em educação, a saída passa por técnicas de concentração conhecidas como deep work (do inglês, trabalho profundo) e por um uso mais criterioso de ferramentas de inteligência artificial (IA) na hora de treinar a redação.
O alerta vem da neurociência. Segundo Jader Vinicius da Silva Rocha, pesquisador de neurorreabilitação e neuromodulação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) , o cérebro do estudante está exposto a um fluxo contínuo de
estímulos de alta velocidade, o que altera o funcionamento do circuito cerebral de recompensa.
"As plataformas de vídeos curtos, como Instagram e TikTok, entre outras redes sociais, produzem picos rápidos de dopamina, e isso não seria nem pelo prazer em si, mas pela expectativa do próximo clique", explica o pesquisador.
Segundo ele, a exposição precoce e constante a esse tipo de conteúdo aumenta a probabilidade de a criança desenvolver déficit de atenção e uma descompensação do circuito de recompensa no futuro.
A técnica de deep work – ou trabalho profundo, na tradução para o português – consiste em períodos de concentração intensa e livre de distrações. De acordo com o pesquisador, estudos recentes mostram a eficácia de exercícios de atenção plena tanto para o desempenho cognitivo quanto para o fortalecimento do córtex pré-frontal, que é a região do cérebro responsável pelo controle e pela tomada de decisões.
"Exercícios de concentração ajudam a melhorar a distração e diminuir os níveis de ansiedade, principalmente em pessoas que têm a tendência de ficar muito tempo com telas" , afirma.
Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, reforça que o consumo exagerado de vídeos curtos e informações nas redes sociais tem consequências para o cérebro adulto e, ainda mais, para o cérebro em desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Ela cita a proibição do uso de celulares em sala de aula como uma medida que já vem sendo adotada em diversas escolas e países como forma de reduzir essa distração.
Na prática, os dois especialistas recomendam blocos de estudo de cerca de 20 minutos, seguidos de pausas curtas de cinco a dez minutos, aumentando progressivamente a duração dos períodos de concentração ao longo das semanas.
"O trabalho na academia é uma boa comparação: a pessoa começa com uma determinada carga e, quando percebe, já consegue assumir mais carga, ficando mais forte e tendo melhores resultados. Esse é um exercício bastante interessante para a escola aplicar", recomenda Sonia.
O celular deve ficar fisicamente afastado do ambiente de estudo, e não apenas desligado ao lado do estudante.
"Se você deixar o celular do lado, mesmo de cabeça para baixo, e tiver alguma notificação, o cérebro já começa a ter esse processamento para tentar identificar o que chega", explica Jader.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.agazeta.com.br — o conteúdo pertence a A Gazeta (ES).