BC diz não ver sinais de propagação inflacionária do choque recente do petróleo
Não há, até esse momento, evidências de que o recente choque nos preços do petróleo e derivados vá gerar uma propagação inflacionária relevante por meio de efeitos de segunda ordem na economia brasileira.
A conclusão está em uma das análises especiais que o Baco Central apresentou nesta quinta-feira (24) em seu Relatório de Política Monetária referente ao segundo trimestre de 2026.
Os efeitos de segunda ordem, são impactos que decorrem dos efeitos primários e que afetam a formação de preços e salários.
Os relacionados à formação de preços se manifestam principalmente quando as empresas elevam seus preços em proporção superior aos aumentos de custos direta e indiretamente associados ao choque.
Isso pode ocorrer quando as empresas antecipam aumentos futuros de custos e decidem reajustar seus preços antes mesmo que tais aumentos se concretizem.
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E esses reajustes, por sua vez, também podem dar origem a efeitos de segunda ordem caso sejam posteriormente repassados aos preços.
Dessa forma, as pressões inflacionárias tornam-se mais disseminadas e persistentes, o que faz com que os efeitos de segunda ordem sejam usualmente objeto de resposta por parte das autoridades monetárias.
Na avaliação do BC, no entanto, embora o relatório admita que os efeitos de segunda ordem podem levara algum tempo para se materializarem, é que não se observam no momento sinais de aumento da inflação em segmentos presumidamente pouco expostos ao aumento dos preços de petróleo e derivados.
E no canal de formação de salários, diferentes medidas da dinâmica salarial tampouco apontam para aceleração disseminada após o início do conflito no Oriente Médio.
O Relatório de Política Monetária do lembra que o preço do petróleo oscilou consideravelmente ao longo do 2º trimestre, assim como sua trajetória prospectiva, que considera queda mais acentuada após alta no quarto trimestre de 2026.
Logo após a data de corte do RPM de junho, destaca o texto, os preços de petróleo recuaram substancialmente, repercutindo um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã que poderia resultar no fim do conflito.
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