Música e fotos levam realidade guarani-kaiowá ao Municipal do Rio
O povo Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul vai ocupar nesta terça-feira (15) um dos palcos mais conhecidos do Brasil.
Música, vozes e fotografias feitas dentro de comunidades indígenas se encontram no Theatro Municipal do Rio de Janeiro na estreia mundial de “Réquiem Guarani-Kaiowá”, obra do compositor campo-grandense Cyro Delvizio.
Com 70 minutos de duração, a composição será apresentada pela Orquestra Petrobras Sinfônica e reunirá mais de 100 artistas no palco, entre músicos, quatro solistas, coro adulto e coro infantil.
A regência será do maestro Felipe Prazeres e os ingressos para a apresentação já estão esgotados.
Enquanto a obra é executada, o público também verá fotografias em preto e branco feitas em comunidades Guarani-Kaiowá pelos fotojornalistas Ana Mendes e Pablo Albarenga.
As imagens serão projetadas durante a apresentação e ajudam a mostrar a realidade que inspirou a composição.
São registros como os que acompanham esta matéria, com indígenas em seus territórios, manifestações, momentos do cotidiano e a relação das comunidades com a terra.
Assim, aquilo que aparece na música também ganha rosto e imagem no palco.
Batizada de “Réquiem Guarani-Kaiowá”, a obra tem libreto escrito por Gabriel Neves Camargo.
Tradicionalmente, um réquiem é uma composição ligada à memória dos mortos.
Neste trabalho, Cyro parte dessa forma musical para falar da história, da violência e dos conflitos enfrentados pelos povos Guarani-Kaiowá, mas também de esperança e da relação dessas comunidades com seus territórios.
“Compor um réquiem já é uma enorme responsabilidade.
Mas quando essa forma musical, tradicionalmente ligada à memória dos mortos e à reflexão sobre a existência humana, encontra a cosmologia guarani-kaiowá, ela ganha uma nova dimensão.
Esta obra nasceu de minha sensibilização diante da dura realidade desses povos, da violência histórica que sofreram e da profunda relação que possuem com a terra e a natureza”, comenta o autor.
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