Deputado do PL provoca tumulto na UFBA em busca de engajamento
A campanha eleitoral começou oficialmente no último domingo, 16. Em Salvador, a extrema direita não perdeu tempo para confirmar que, mais uma vez, a eleição será marcada por menos debate de ideias, e mais produção de cenas para as redes sociais.
O episódio ocorrido nesta quinta-feira, 20, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) é um bom exemplo.
É mesmo uma contradição ouvir discursos de vitimismo vindo de um grupo político com práticas truculentas de interdição do debate de ideias pela agressividade e radicalismo como prática antidemocrática, não apenas contra adversários eleitorais, mas também profissionais da imprensa, professores, estudantes e ativistas sociais.
Segundo o próprio deputado, em vídeo publicado em rede social, ele foi à Facom depois de receber uma denúncia sobre a existência de adesivos de apoio a candidaturas do Partido dos Trabalhadores nas dependências da universidade. O material, caso estivesse irregular, poderia ser questionado pelas vias institucionais adequadas. O parlamentar, entretanto, decidiu ir pessoalmente ao local para retirá-lo, acompanhado de sua equipe, e registrar a ação em vídeo.
Esse é o modus de lacração digital transformado em método político. Não se trata de defender a utilização irregular de espaço público para propaganda eleitoral. Se havia uma infração à legislação eleitoral, há instrumentos institucionais para denunciá-la e solicitar sua retirada.
O que não parece razoável é transformar um mandato parlamentar em uma espécie de brigada particular para fiscalizar paredes de universidade. Muito menos entrar em um ambiente acadêmico acompanhado de seguranças, interromper a rotina da instituição e produzir imagens de confronto.
Porque o confronto, nesse tipo de política, não é necessariamente um acidente. Ele passa a ser o próprio produto.
A lógica é provocar uma situação, registrar a reação, selecionar alguns segundos das imagens, publicar nas redes sociais e construir uma narrativa de interesse do seu público seguidor, que será rebatida pelos opositores em mais interações e engajamento. O contexto desaparece. O que sobra é o frame.
No vídeo, não existe mais a sequência dos acontecimentos. Existe o deputado "enfrentando a esquerda". Existe a universidade "impedindo a liberdade". Existem estudantes "atacando um parlamentar". Existe, finalmente, a velha narrativa de que a universidade pública seria um território proibido para a direita.
O conflito como combustível para o algoritmo é uma fórmula que a extrema direita utiliza muito bem. Quanto mais estridente a cena, maior a possibilidade de viralização. Quanto mais agressivas as reações, mais fácil construir a narrativa de perseguição. E quanto menos tempo o público tiver para compreender o contexto, mais eficiente será o recorte.
O episódio da UFBA chegou a envolver estudantes, professores, profissionais de segurança e a direção da Faculdade de Comunicação. A universidade afirmou que a ação perturbou de forma truculenta a rotina acadêmica, interrompeu uma atividade de recepção aos calouros e resultou em confrontos verbais e físicos.
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