Em último discurso como secretário-geral da ONU, Guterres faz alerta sobre multipolaridade
Em seu último discurso de abertura de uma Assembleia Geral antes do fim de seu mandato como secretário-geral das Nações Unidas , o português António Guterres alertou que “as linhas de ruptura no nosso mundo estão alargando-se” e defendeu uma reforma dentro da própria organização.
“As fissuras transformaram-se em desfiladeiros”, disse ele aos líderes mundiais.
“As divisões geopolíticas abriram-se e as desigualdades intensificaram-se.” Guterres também destacou os riscos do avanço da inteligência artificial, em meio a preocupações crescentes sobre a controversa tecnologia.
Segundo ele, é possível que isso gere um mundo fragmentado, com instituições e mercados fragmentados, sem cooperação.
Continua após a publicidade “Os humanos estão cada vez mais entregando poder às máquinas, com agentes artificiais se tornando desonestos”, disse ele.
As armas autônomas de IA estão passando da “ficção científica para a realidade militar”, acrescentou.
O chefe da ONU destacou ainda que criar um futuro conectado começa com o reconhecimento, principalmente das “superpotências”, de que seus poderes têm limites.
“Poder militar apenas não pode garantir a paz.
O poder econômico, por si só, não pode instaurar a estabilidade.
Poder tecnológico apenas não consegue garantir segurança”, disse.
Continua após a publicidade Guterres também voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, criado no contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, para que o órgão reflita, segundo ele, “o mundo de hoje”.
O português destacou que, quando as Nações Unidas foram fundadas, grande parte da África ainda estava sob domínio colonial e que, oito décadas depois, o continente segue sem um assento permanente no Conselho.
“Um Conselho de Segurança do século 21 sem representação africana permanente é injusto e indefensável”, afirmou.
A composição atual reserva assentos permanentes e poder de veto a Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
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