Lula monta palanque na ONU e saca, em 2026, arma de 2022
Discursando para o mundo, Lula falou para o eleitorado brasileiro. Montou seu palanque nas Nações Unidas. A 12 dias do primeiro turno, retirou do paiol um armamento antigo: o fator democrático. "A democracia está novamente em xeque", declarou. Sem mencionar Trump, incorporou-o à retórica ao dizer que o regime é atacado por "inimigos internos e externos".
À sua maneira, Lula expôs uma fragilidade. Admitiu que o desejo de permanecer no Planalto desafia os ventos: "Existe, em todo o mundo, um anseio legítimo por mudanças", reconheceu. Em seguida, ponderou: "Mudar não é retroceder". Disse que os eleitores vão às urnas em 4 de outubro não para escolher um presidente, mas para "decidir entre democracia e negacionismo".
Há quatro anos, o apelo à democracia rendeu a Lula uma vitória magra sobre Bolsonaro. Contra um adversário que atacou as vacinas numa pandemia e as urnas numa eleição, Lula venceu por 2 milhões de votos. Imaginou que Flávio Bolsonaro, o filho do capitão, seria o adversário dos sonhos. Mas ele aparece nas pesquisas como rival competitivo. Ironicamente, Lula guerreia contra o retrocesso em 2026 com um armamento de 2022.
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