Órgão regulador vê risco de colapso no futebol inglês com 94% dos clubes operando com prejuízo
O recém-criado Regulador Independente do Futebol (IFR, na sigla em inglês) do Reino Unido publicou o relatório preliminar “State of the Game”, revelando que as finanças da modalidade no país enfrentam um risco sistêmico grave.
O diagnóstico abrange as cinco principais divisões masculinas inglesas e aponta que 94% dos clubes operam no prejuízo.
O documento detalha um cenário no qual o sucesso comercial e as arrecadações recordes coexistem com um modelo de negócios dependente de injeções emergenciais de capital dos proprietários e de um endividamento elevado.
LEIA MAIS: Manchester City é considerado culpado de violar regras financeiras e pode ser punido pela Premier League Na temporada 2025/2026, as ligas analisadas geraram uma receita consolidada de £ 9,1 bilhões, porém com extrema concentração de recursos.
A Premier League absorveu 83% do total, com os seis clubes mais ricos concentrando quase metade de todo o dinheiro movimentado pelo ecossistema.
“No coração do sucesso do futebol inglês há uma enorme contradição.
Enquanto alguns dos nossos clubes estão entre os mais ricos e competitivos do mundo, outros estão à beira do desastre financeiro”, disse David Kogan, presidente do IFR.
“Um número significativo de clubes nos disse que não sobreviveria se seus proprietários fossem embora.
Esta falta de resiliência não pode mais ser ignorada.
Qualquer um que leia este relatório não pode ter dúvidas sobre a necessidade de intervenção”, acrescentou.
Desigualdade O distanciamento econômico entre os níveis da pirâmide é intensificado pelo sistema de “pagamentos de paraquedas” repassado aos rebaixados da elite.
Essa injeção de capital cria uma distorção competitiva na Championship, a segunda divisão, forçando os times sem o benefício a participarem de uma corrida inflacionária.
Para manter a competitividade, as equipes chegam a comprometer 84% de suas receitas apenas com as folhas salariais.
O problema se estende aos gastos estruturais não esportivos, já que o regulador identificou 17 agremiações nas divisões inferiores com despesas operacionais fixas maiores que a arrecadação bruta, configurando um modelo deficitário mesmo na hipótese de nenhum atleta ser remunerado.
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