Gravidez e maternidade na adolescência geram perdas de R$ 6 bilhões no Brasil, diz ONU
A gravidez e a maternidade na adolescência provocam um impacto econômico estimado em 6,2 bilhões de reais por ano no Brasil, segundo estudo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
O levantamento considera cinco dimensões: educação, participação no mercado de trabalho, renda, saúde e arrecadação tributária.
Os efeitos da maternidade precoce se estendem à trajetória educacional das mulheres.
Segundo o estudo, as brasileiras que tiveram o primeiro filho na idade adulta têm probabilidade 9% maior de concluir a escolaridade, 10% maior de chegar ao ensino superior e 5% maior de alcançar a pós-graduação.
O impacto econômico associado apenas a essas diferenças educacionais é estimado em 1,76 bilhão de reais por ano.
No mercado de trabalho, as mulheres que foram mães na adolescência apresentam taxa de inatividade 8,9% maior e desemprego 2,83% superior ao das mulheres cujo primeiro filho nasceu na idade adulta.
A renda média do trabalho das mães adolescentes é estimada como 58% menor do que a das mulheres que tiveram o primeiro filho na idade adulta.
Continua após a publicidade O estudo calcula ainda que os gastos públicos com assistência médica e cuidados de saúde relacionados à gestação precoce chegam a 170 milhões de reais por ano no Brasil.
As mães precoces vivem, em média, 8,3 anos a menos do que as demais mães, segundo estudo.
Já a menor inserção dessas mulheres no mercado de trabalho reduz a arrecadação de impostos em 1,48 bilhão de reais.
Embora a fecundidade geral tenha recuado de 2,32 filhos por mulher em 2000 para 1,57 em 2023, a queda da fecundidade entre adolescentes ocorre em ritmo mais lento, especialmente entre meninas de 10 a 14 anos.
O estudo também identifica desigualdades raciais, educacionais e territoriais: três em cada quatro adolescentes que já engravidaram são pretas ou pardas , segundo os dados utilizados pelo levantamento, e quase metade apresenta escolaridade limitada ao ensino fundamental.
Continua após a publicidade Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a razão de mortalidade materna é de 47 óbitos por 100 mil nascidos vivos.
Entre meninas de 10 a 14 anos, o índice chega a 75 por 100 mil.
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