Estado alemão tem duelo de sociais-democratas e ultradireita
Estado alemão tem duelo de sociais-democratas e ultradireita - Governado pelo SPD há quase 30 anos, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental vai às urnas no domingo em uma disputa apertada com a AfD. Mas atual governadora tem boas chances de continuar no cargo.Depois das recentes eleições regionais em Saxônia-Anhalt, que deram vitória ao partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), chegou a vez de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país. Esta disputa eleitoral será mais um teste para a política alemã, já que a legenda AfD lidera as pesquisas de intenção de voto também no estado, desafiando a popularidade da atual governadora de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a social-democrata Manuela Schwesig.
Mesmo com a liderança da AfD nas pesquisas, a atual chefe de governo tem chances de manter o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, no comando do estado após a votação deste domingo (20/09).
Um dos destinos favoritos dos turistas alemães, situado às margens do Mar Báltico, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental é um estado conhecido pelas ilhas de Rügen e Usedom, pelas universidades históricas de Rostock e Greifswald e pelos estaleiros que marcam a economia regional. Também faz parte da história do estado, o antigo complexo nuclear na cidade de Lubmin, construído nos tempos da Alemanha Oriental. A usina só foi desativada em 1995.
Com cerca de 1,57 milhão de habitantes, o estado é o menos densamente povoado da Alemanha e marcado pelo envelhecimento populacional. A economia enfrenta desafios: a taxa de desemprego, em torno de 8%, permanece acima da média nacional. Além disso, tem a menor proporção de estrangeiros do país, que representam aproximadamente 6% da população.
Para muitos alemães que cresceram na antiga Alemanha Oriental, a região é sinônimo de férias de verão e centros turísticos à beira-mar. O estado também abriga uma extensa rede de áreas naturais protegidas e a famosa Região dos Lagos de Mecklemburgo, onde fica o lago Müritz.
Mas o estado também está associado a um dos episódios mais traumáticos da Alemanha após a reunificação: em agosto de 1992, imagens de ataques a centros de acolhimento de imigrantes e requerentes de asilo em Rostock-Lichtenhagen chocaram o país e ganharam repercussão internacional.
Naquele ano, a Alemanha registrou cerca de 440 mil pedidos de asilo, número recorde para a época e que acabou alimentando intensos debates políticos sobre imigração.
Centenas de extremistas de direita atacaram um prédio onde viviam cerca de 100 vietnamitas. Enquanto ateavam fogo ao edifício, milhares de pessoas acompanhavam a ação, e parte delas aplaudia.
Apesar da violência, ninguém morreu, mas muitos ficaram feridos. O episódio é considerado um dos mais graves ataques de motivação racista registrados na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.
Há quase três décadas, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental é governado pelo SPD, em diferentes coalizões.
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