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Quem fica quando o progresso chega?

Jovem Pan ·
Quem fica quando o progresso chega?

Em Jericoacoara e no Preá, o vento sempre esteve lá. O que mudou foi o valor que o mundo passou a dar a ele. O vento virou esporte, destino turístico, ocupação hoteleira e valorização imobiliária. Trouxe empregos, renda e investimentos. Mas também acelerou uma transformação que nenhuma planilha consegue explicar por inteiro.

O que acontece com uma comunidade quando o lugar em que ela vive passa a valer mais para quem chega do que para quem sempre esteve ali?

O Parque Nacional de Jericoacoara recebeu cerca de 1,3 milhão de visitantes em 2025. No Preá, o avanço do turismo e do mercado imobiliário alterou a paisagem, o preço da terra e a relação dos moradores com o próprio território.

Um estudo publicado em 2025, baseado na escuta de 488 pessoas, identificou aumento dos conflitos fundiários, deslocamento de famílias tradicionais e empregos muitas vezes sazonais e de baixa remuneração. Ao mesmo tempo, a maioria dos entrevistados reconheceu os benefícios econômicos do turismo.

O desafio do ESG não está em impedir que o capital chegue. Está em evitar que ele cresça destruindo os elementos humanos, culturais e naturais que tornaram aquele território valioso.

Foi pensando nisso que compreendi melhor o trabalho de Morgana Masetti.

Psicóloga, doutora e cofundadora dos Doutores da Alegria, Morgana dedicou boa parte da vida a estudar a qualidade dos encontros dentro dos hospitais. Seu trabalho ajudou a lembrar à medicina que, antes do diagnóstico, existe uma pessoa.

Agora, à frente do Instituto S.E.R., ela leva esse mesmo princípio para outro território.

Quando Morgana fala sobre o Instituto, seus olhos brilham. Mesmo com uma trajetória consolidada na humanização da saúde, ela quer avançar. Não para abandonar o que construiu, mas para ampliar o alcance do cuidado.

A Academia dos Ventos ensina kitesurf aos jovens do Preá e abre possibilidades para que se tornem atletas ou instrutores. O principal atrativo econômico da região também pode se transformar em conhecimento, renda e futuro para quem nasceu ali.

O apoio à Orquestra AME oferece formação musical a crianças e adolescentes. Exposições, rodas de conversa e registros audiovisuais preservam a memória dos moradores. O trabalho com artesãs fortalece saberes que correm o risco de desaparecer justamente quando a região se torna mais conhecida.

Essas iniciativas parecem diferentes. Mas respondem ao mesmo problema: quem ocupará o centro dessa nova economia? O impacto social não está somente em atender pessoas. Está em mudar o lugar que elas ocupam. De mão de obra para profissionais qualificados. De personagens de uma paisagem para autores de sua própria história. De beneficiários para participantes das decisões sobre o território.

A Agenda 2030 da ONU estabelece que o turismo sustentável deve criar empregos e promover a cultura e os produtos locais. Mas o “S” do ESG exige uma reflexão ainda mais profunda.

Quem concentra o valor gerado pelo desenvolvimento? Quem suporta seus custos? Quem consegue permanecer?

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jovempan.com.br — o conteúdo pertence a Jovem Pan.

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