Juliette diz que come talco e reacende debate sobre Síndrome de Pica
Juliette declarou que gosta de comer talco, o que reacendeu o debate sobre a pica — também chamada alotriofagia –, comportamento marcado pela ingestão persistente de substâncias sem valor nutricional.
O relato isolado, no entanto, não basta para diagnosticar a condição.
Em artigo científico de 2022, o neurocientista Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues define a pica como um padrão recorrente de ingestão de materiais não alimentares, como terra, barro, gelo e outros produtos impróprios para consumo.
Segundo estudo, mulheres que entram cedo na menopausa podem ter envelhecimento do cérebro afetado Segundo Fabiano, a diferença está principalmente na persistência e no contexto.
Uma curiosidade pontual ou experimentar uma substância não caracteriza necessariamente pica.
O comportamento torna-se clinicamente relevante quando a ingestão se repete durante cerca de um mês ou mais, é inadequada para a idade de desenvolvimento e não corresponde a uma prática cultural.
Em crianças muito pequenas, por exemplo, levar objetos à boca faz parte do desenvolvimento normal e não deve ser confundido automaticamente com o transtorno.
A pica também precisa ser diferenciada de compulsões alimentares, preferências incomuns e outros transtornos psiquiátricos.
Na compulsão alimentar, a pessoa ingere alimentos em excesso; na pica, o foco está justamente em materiais que não são alimentos.
Em alguns casos, o comportamento pode estar associado a deficiência de ferro ou zinco, alterações emocionais, deficiência intelectual ou outras condições, razão pela qual não deve ser interpretado apenas como “mania” ou gosto excêntrico.
O artigo destaca que a relação entre deficiência de ferro e pica é conhecida há séculos, embora nem sempre seja possível determinar se a carência é causa ou consequência do comportamento.
“O importante é não transformar um comportamento isolado num diagnóstico.
Pica envolve repetição, inadequação do objeto ingerido e contexto clínico.
Também precisamos investigar se há deficiência nutricional, alteração psiquiátrica ou outro fator associado”, explica Fabiano.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.