Redata atrai investidores, mas não acelera obras de data centers
O governo conseguiu aumentar a atratividade do Brasil para investimentos em data centers com a aprovação do Redata, mas ainda está longe de resolver um dos principais problemas enfrentados pelo setor: a demora para colocar os empreendimentos em operação.
Um levantamento do GRI Institute mostra que apenas 4,08% dos participantes da pesquisa apontaram a antecipação dos cronogramas de projetos como o principal efeito esperado do novo regime de incentivos fiscais.
O resultado evidencia uma distância entre a redução dos custos de investimento e a capacidade de acelerar a instalação dos centros de processamento de dados no país.
A pesquisa, realizada em setembro durante um encontro do GRI que reuniu 239 participantes, entre executivos, investidores, financiadores e representantes do setor público, revela um contraste.
Enquanto 53,06% apontaram o aumento da competitividade internacional do Brasil como principal efeito do Redata, a expectativa de antecipação dos empreendimentos ficou restrita a uma pequena parcela das respostas.
O estudo captou as expectativas dos participantes no dia da sanção da lei, e não os resultados efetivos do programa.
O obstáculo está principalmente na infraestrutura.
Embora o Brasil tenha uma matriz elétrica predominantemente renovável e disponibilidade de energia para atrair grandes investimentos, a conexão dos empreendimentos à rede de transmissão esbarra em limitações de capacidade, obras de expansão e procedimentos regulatórios.
Segundo o GRI, os prazos necessários para viabilizar essa infraestrutura podem ser incompatíveis com a velocidade de implantação exigida pelas empresas de tecnologia, sobretudo diante do avanço da inteligência artificial.
Continua após a publicidade A importância desse gargalo aparece em outro resultado do levantamento.
A disponibilidade de infraestrutura de apoio, incluindo energia, conectividade e transporte, passou de 43,40% das menções em 2025 para 72,92% em 2026, tornando-se o principal fator apontado como capaz de impulsionar investimentos.
Superou até mesmo a demanda por inteligência artificial, mencionada por 66,67% dos participantes.
Já a proporção de respostas indicando apetite alto ou muito alto por investimentos no setor subiu de 76% para 83,78% no mesmo período.
Continua após a publicidade As limitações também dificultam uma das ambições do governo: distribuir os investimentos para além dos mercados tradicionais do Sul e Sudeste.
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