Fazenda reduz previsão de crescimento da economia para 2% e cita alta do peso das dívidas das famílias
O Ministério da Fazenda revisou para baixo a projeção de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,3% para 2,0%, refletindo principalmente a desaceleração do setor de serviços, influenciada pelo comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas.
"A projeção para o setor de serviços caiu de 2,4% para 1,8% e a da indústria, de 2,1% para 1,7%, movimentos parcialmente compensados pela agropecuária, revisada de 1,8% para 2,8%.
Nos serviços, a revisão decorre do carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre e da transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica", explica o governo no Boletim Macrofiscal, divulgado nesta terça-feira (22).
A publicação, divulgada bimestralmente, reúne projeções de curto e médio prazo para indicadores de atividade econômica e inflação utilizados no processo orçamentário da União.
"Ainda que o endividamento das famílias siga estável em proporção da renda, o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo", explica o ministério.
Agora no g1 A pasta menciona ainda o desempenho da indústria, pressionada pelo custo do crédito e pela demanda mais fraca por bens de consumo, enquanto a atividade extrativa continua sustentando o setor.
Em sentido contrário, o mercado de trabalho segue amparando os segmentos ligados ao consumo das famílias, e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física eleva a renda disponível ao longo do segundo semestre, atenuando a desaceleração projetada.
As estimativas para a inflação em 2026 também foram revistas para baixo, passando de 5,1% para 4,9%. 🔎Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
Entre os fatores para a revisão, o ministério cita os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, que ficaram abaixo do projetado anteriormente, especialmente no grupo de alimentação no domicílio e, em menor medida, no de serviços.
"A revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026", acrescenta o documento.
Por outro lado, a projeção incorpora fatores de pressão inflacionária, como o fenômeno El Niño.
A estimativa, porém, ainda não considera as medidas recentes relacionadas aos combustíveis.
No caso da gasolina, as alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins foram reduzidas em R$ 0,63 por litro, em substituição à subvenção de R$ 0,44 por litro.
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