Flávio Bolsonaro não se compromete com valorização do salário mínimo em seu governo
Em 76 páginas de seu plano de governo 2027-2030, o senador e candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), não menciona nenhuma vez a valorização do salário mínimo e não se compromete com a política de renda.
O senador, portanto, repete o governo de seu pai, o ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro (PL), que em todos os anos de seu governo, não reajustou o salário mínimo acima da inflação.
Enquanto isso, nesta segunda-feira (25), o governo do presidente Lula (PT) anunciou o aumento do salário mínimo para R$ 1.741 em 2027 , novamente acima da inflação.
O novo valor representa um aumento de 7,4%, que fica acima da projeção da inflação para o fim de 2026, estimada em 5,02% pelo mercado no Boletim Focus.
Desse modo, o presidente mantém a política de valorização real do salário mínimo anunciada desde o início de seu terceiro mandato.
Além disso, em seu plano de governo, Lula se compromete a dar “continuidade à política de valorização do salário mínimo como meio estratégico de distribuição de renda, combate à pobreza e promoção do desenvolvimento econômico e social”, contrastando com as propostas de seu principal adversário nestas eleições, Flávio Bolsonaro.
Os planos de governo do presidente e do senador utilizados como base desta matéria estão disponibilizados no site Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Salário mínimo acumula ganho real de quase 12% no governo Lula Um cálculo baseado nos reajustes oficiais do salário mínimo e na inflação acumulada revela uma mudança no ritmo de valorização do piso nacional nos últimos anos.
Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, o salário mínimo acumulou ganho real estimado de 11,9% , ou seja, aumentou acima da inflação do período.
A diferença está relacionada à política adotada para definir os reajustes.
Durante o governo Bolsonaro, o salário mínimo teve valorização real apenas em 2019.
Naquele ano, o aumento ainda refletia uma política definida no fim do governo Michel Temer.
Nos anos seguintes da gestão Bolsonaro, 2020, 2021 e 2022 , os reajustes praticamente apenas acompanharam a inflação, sem aumento significativo acima do custo de vida , segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
O período marcou o fim da política de valorização real que havia sido adotada em governos anteriores.
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