Dólar fecha em alta de 1,17%, a R$ 5,087; Bolsa cai com eleição no radar
O dólar fechou esta quinta-feira (15) em alta de 1,17%, cotado a R$ 5,087, na terceira valorização consecutiva, enquanto o Ibovespa recuou 1,06%, aos 204.324,27 pontos. O mercado brasileiro reagiu à divulgação de uma nova pesquisa eleitoral, à aprovação do fim da escala 6x1 no Senado e aos dados de inflação dos Estados Unidos, que mantiveram as preocupações com os juros americanos.
O movimento contrastou com o desempenho das bolsas de Nova York, que conseguiram encerrar o pregão em alta. No Brasil, construtoras e varejistas concentraram as maiores perdas, enquanto a Embraer liderava os ganhos do principal índice da Bolsa.
Dólar subiu pelo terceiro pregão consecutivo. A valorização frente ao real ocorreu mesmo com a perda de força da moeda americana diante de outras divisas. Segundo Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, o movimento refletiu a cautela com a aproximação do segundo turno das eleições presidenciais, quando pesquisas, declarações dos candidatos e decisões políticas tendem a provocar oscilações mais intensas.
Historicamente, mais volatilidade é esperada nesse período, tanto no dólar quanto no Ibovespa, e o mercado costuma ser mais sensível ao noticiário . Luca Girardi, analista da Nomad
Pesquisa eleitoral e fim da escala 6x1 pressionaram a Bolsa. Lucas Xavier, chefe da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, atribui parte da queda à repercussão da pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (14), após o fechamento do mercado. A aprovação da mudança na jornada de trabalho pelo Senado também alimentou preocupações com os custos das empresas e a inflação.
Redução da jornada pode elevar despesas das empresas. Segundo Xavier, companhias que dependem de muitos funcionários poderão precisar contratar ou reorganizar escalas para manter suas operações. Parte desses custos pode ser repassada aos consumidores, pressionando os preços. Por outro lado, o especialista vê possíveis benefícios para turismo e lazer com o aumento do tempo livre dos trabalhadores.
Direcional liderou as perdas do Ibovespa. As ações da construtora (DIRR3) caíram 9,26%, pressionadas, segundo Girardi, pela prévia operacional do terceiro trimestre, que mostrou vendas e lançamentos mais fracos. MRV (MRVE3) também recuou 4,94%, em um dia negativo para empresas do setor.
Varejistas e empresas ligadas ao consumo também recuaram. Vamos (VAMO3) perdeu 4,27%, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 4,24% e C&A (CEAB3) recuou 4,18%. Essas companhias tendem a ser mais sensíveis às perspectivas para os juros e para o consumo, em meio à maior cautela dos investidores.
Embraer liderou as altas da Bolsa. As ações da fabricante de aeronaves (EMBJ3) avançaram 2,70%. Yduqs (YDUQ3) subiu 2,12%, Caixa Seguridade (CXSE3) ganhou 1,73%, TIM (TIMS3) teve alta de 1,36% e Ambev (ABEV3) valorizou 1,03%.
Juros futuros avançaram em diferentes vencimentos. O contrato para janeiro de 2027 registrou taxa de 13,517% ao ano, ante 13,475% na sessão anterior. Para janeiro de 2029, a taxa subiu de 12,480% para 12,675%, enquanto o vencimento de 2031 passou de 12,540% para 12,725%.
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