Netanyahu intensifica ataques a partidos árabes sob risco de perder poder
Benjamin Netanyahu alegou nesta quinta-feira (29), sem apresentar provas, que o crescimento recorde dos partidos árabes nas eleições desta semana foi impulsionado, em parte, por fraude eleitoral.
Líderes árabes rejeitaram a acusação e acusaram o primeiro-ministro de incitação.
A acusação representa uma intensificação da retórica antiárabe de Netanyahu e de seus aliados de extrema direita após a alta participação da população árabe na votação nacional de terça-feira, que, na prática, impediu tanto o primeiro-ministro quanto seus principais rivais judeus de chegar facilmente ao poder.
Autoridades eleitorais israelenses afirmaram nesta quinta-feira que há uma investigação sobre as suspeitas de fraude, mas disseram que a integridade da eleição não foi “comprometida de forma sistemática”.
Leia Mais Crescimento de partidos árabes pode forçar negociações, diz especialista Análise: Netanyahu perdeu maioria, mas caminho de rival é complicado Apesar de indefinição, Netanyahu diz que tem apoio de "maioria decisiva" Analistas e críticos afirmam que, ao intensificar os ataques aos partidos árabes, Netanyahu pode estar tentando fazer com que seu principal rival, Gadi Eisenkot, se sinta impedido até mesmo de considerar a formação de um governo minoritário com apoio árabe que poderia tirá-lo do poder.
O objetivo de Netanyahu é “deslegitimar qualquer cooperação entre árabes e judeus”, afirmou Eytan Gilboa, professor de política da Universidade Reichman.
As autoridades eleitorais deveriam concluir a apuração dos votos ainda nesta quinta-feira.
A eleição, marcada por uma disputa acirrada, não produziu um vencedor claro e deve ser seguida por semanas de negociações prolongadas para a formação de um novo governo.
Com quase 93% dos votos apurados, o bloco nacionalista-religioso de Netanyahu tinha uma pequena vantagem em número de cadeiras sobre o bloco de partidos de direita e centro-esquerda liderado por Eisenkot.
As coalizões dos dois candidatos, porém, estavam abaixo das 61 cadeiras necessárias para conquistar a maioria no Parlamento.
Os partidos que representam a minoria árabe de Israel, que corresponde a 21% da população, deveriam conquistar um número sem precedentes de 19 cadeiras .
Com isso, o bloco de Eisenkot, com 48 assentos, contra 53 do grupo de Netanyahu, não teria um caminho viável para chegar ao poder sem amplo apoio árabe — uma possibilidade que Eisenkot até agora descartou.
O grupo de Eisenkot também poderia, no entanto, tentar formar um governo minoritário com apoio externo dos partidos árabes, sem incluí-los formalmente na coalizão governista.
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