Análise: Trump esvazia pauta de atos em Paris e foca na “estética” de crise
O presidente americano, Donald Trump, utilizou os protestos em curso na França como pano de fundo retórico durante um comício realizado no Kansas, afirmando que os Estados Unidos “queimarão como a França” caso os democratas vençam as eleições de meio de mandato.
A avaliação é da analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta ao CNN 360° .
A declaração foi feita a duas semanas do pleito, em um momento em que as pesquisas apontam para uma aprovação de apenas cerca de 30% do governo republicano.
A correspondente da CNN em Washington, Mariana Janjácomo, reportou ao vivo da Casa Branca que Trump cumpre uma intensa agenda de compromissos , visitando sete estados em sete dias.
Leia Mais Trump volta a ameaçar anexar o Canadá: "serão nosso 51° estado" Trump promete US$100 milhões a fábrica em Kentucky se republicanos vencerem Trump pede que apoiadores votem e "trapaceiem pra valer" nas eleições A viagem ao Kansas foi a primeira dessa sequência, seguida de uma visita à Carolina do Norte.
O objetivo da campanha é tentar garantir assentos republicanos no Congresso, tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.
Análise: Trump foca na “estética” dos protestos europeus Para a analista de internacional da CNN, Fernanda Magnotta, a fala de Trump representa uma mistura inadequada de elementos de naturezas distintas.
Os protestos europeus — que se estendem além da França, alcançando Itália, Áustria e outros países — têm como base comum a insatisfação com os serviços prestados pelo Estado, a qualidade da educação e, sobretudo, a percepção de aumento do custo de vida.
“A estética do que vem acontecendo em Paris, principalmente, tem chocado o mundo todo, com violência, repressão e uma série de atitudes”, afirmou Magnotta.
Segundo a analista, ao se apropriar dessas imagens, Trump ignora deliberadamente as causas dos protestos — como a demanda por melhores condições de vida, redução no preço de aluguéis e mais investimentos em educação — e foca apenas na aparência de violência para sugerir que a esquerda norte-americana poderia ser, de alguma forma, violenta e perturbadora da ordem.
“O presidente Trump está, nesse momento, aproveitando essa estética e essa crise europeia para misturar um pouco os canais e tentar sugerir que a esquerda norte-americana pode ser de alguma maneira violenta, ruaceira”, declarou Magnotta.
Insatisfação americana espelha a europeia, mas aponta para o governo Trump Fernanda Magnotta ressaltou uma contradição central no discurso de Trump: os motivos de insatisfação que alimentam os protestos europeus são os mesmos que corroem a popularidade do próprio governo republicano nos Estados Unidos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.