Vendas no varejo do Brasil recuam mais do que o esperado em julho
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As vendas varejistas no Brasil registraram queda maior do que a esperada em julho, indicando fraqueza no início do segundo semestre com o pior desempenho em três meses e corroborando sinais de enfraquecimento da economia .
Em julho, as vendas no varejo tiveram queda de 0,8% na comparação com junho, registrando ainda alta de 1,2% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (15) vieram mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de recuo de 0,2% na comparação mensal e de alta de 2,15% na base anual.
A retração mensal no volume de vendas em julho foi apenas a segunda neste ano, depois de queda de 1,1% em abril.
No segundo trimestre, de acordo com dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados no início do mês, o consumo das famílias registrou a primeira retração em três trimestres, de 0,4%.
A economia brasileira deve continuar mostrando sinais de enfraquecimento no segundo semestre, na visão de analistas, em meio a uma política monetária restritiva e apesar da força no mercado de trabalho e de medidas de estímulo ao consumo, bem como do enfraquecimento da inflação .
A Selic está atualmente em 14%, o que dificulta o crédito. O Banco Central volta a decidir sobre a taxa básica de juros na quarta-feira (16), com expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, alertou que a queda nas vendas se deu apesar de julho ter sido um período benigno do ponto de vista macroeconômico, com destaque para a forte deflação de alimentos no mês (-0,67%). Ele citou ainda efeitos sazonais como o inverno e o recuo nos preços dos combustíveis (-1,44%) como fatores positivos para o comércio.
"A queda observada em julho gera preocupação para o desempenho do setor prospectivamente. Uma vez dissipados estes efeitos, é pouco provável que as condições orgânicas de oferta e demanda do período atual sejam suficientes para reverter o quadro atual do comércio, que pode seguir com desempenho abaixo do esperado nas próximas medições e influenciar de maneira negativa o PIB do período", afirmou Pizzani.
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Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, cinco apresentaram retração frente a junho: Móveis e eletrodomésticos (-4,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2%), Tecidos, vestuário e calçados (-2,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,2%).
Já três divisões apresentaram resultados positivos: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,6%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,6%) e Combustíveis e lubrificantes (0,3%).
"O resultado reforça a leitura de que os indicadores de atividade no início do terceiro trimestre seguem mais fracos na margem e consistentes com um cenário de desaceleração gradual da economia", avaliou Leonardo Costa, economista do ASA.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.