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Política

Pontas de pedra minúsculas aparecem em abrigo de 80 mil anos e levantam nova pista sobre quando armas de longo alcance surgiram na Eurásia

O Antagonista ·
Pontas de pedra minúsculas aparecem em abrigo de 80 mil anos e levantam nova pista sobre quando armas de longo alcance surgiram na Eurásia

Micropontas com marcas de impacto em Obi-Rakhmat sugerem projéteis leves muito antes dos exemplos europeus mais famosos

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No abrigo rochoso de Obi-Rakhmat, no nordeste do Uzbequistão, arqueólogos identificaram pequenas peças triangulares de pedra com sinais de impacto em camadas datadas de cerca de 80 mil anos. A descoberta sugere que pontas de projétil leves já existiam muito antes dos exemplos europeus mais conhecidos , abrindo uma nova discussão sobre a origem de armas de caça de longo alcance na Eurásia.

O sítio fica no sopé ocidental das montanhas Tian Shan e preserva cerca de 10 metros de depósitos do Pleistoceno, cobrindo algo em torno de 40 mil anos de ocupação. Nas camadas 20 e 21, a equipe analisou uma indústria lítica rica em lâminas, pontas e lâminas pequenas, produzidas por diferentes esquemas técnicos.

Dentro desse conjunto, o estudo destacou peças muito pequenas, algumas sem retoque, de forma triangular e bastante estreitas. Em uma seleção funcional de 20 exemplares com marcas relacionadas ao uso, os autores reconheceram três tipos de armaduras: pontas retocadas, bladelets e, sobretudo, micropontas triangulares antes pouco notadas por estarem fragmentadas.

O ponto central é o tamanho. Segundo os autores, essas micropontas são estreitas demais para terem sido montadas em hastes grossas como as de lanças pesadas. Pelo desenho funcional, elas se encaixam melhor em eixos leves, comparáveis a flechas ou outros projéteis leves lançados à distância.

Além disso, várias peças exibem fraturas e desgastes compatíveis com impacto. Isso não prova sozinho a existência de arco preservado, mas reforça a interpretação de que não eram apenas ferramentas de corte ou açougue. O conjunto sugere uma tecnologia de caça mais especializada do que aquela normalmente associada ao Paleolítico Médio.

Os pesquisadores trabalham com cautela. O artigo sustenta que o melhor ajuste funcional é com hastes leves “semelhantes a flechas”, mas não afirma que arcos de madeira foram encontrados no local. Como materiais orgânicos raramente se preservam, a interpretação depende do desenho das peças e das marcas microscópicas de uso.

O próprio estudo admite alternativas teóricas, mas considera que elas se ajustam pior ao conjunto. Por isso, a hipótese principal é de projéteis leves usados em caça, e não de simples pontas ocasionais. Essa diferença importa porque armas desse tipo ampliam distância, precisão e segurança no ataque a animais ágeis.

Até agora, armaduras pequenas e claramente especializadas costumavam ser mais lembradas em contextos posteriores, sobretudo do Paleolítico Superior inicial. Obi-Rakhmat empurra essa discussão para um momento muito mais antigo e coloca a Ásia Central no centro do debate sobre inovação técnica.

Os autores também chamam atenção para a semelhança com as micropontas da caverna Mandrin, no vale do Ródano, na França, cerca de 25 mil anos mais recentes. Eles não afirmam ligação direta, mas consideram a comparação importante para repensar a história dessas armas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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