Fed deve subir juros nos EUA novamente neste ano, diz economista
O Fed (Federal Reserve) elevou os juros nos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, em decisão unânime que levou a banda de referência da autoridade monetária para o intervalo entre 3,75% e 4%.
A alta, amplamente esperada pelo mercado, reacende o debate sobre os próximos passos da política monetária americana e seus reflexos sobre economias emergentes, como o Brasil.
Em entrevista, Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, avaliou que o movimento do Fed dificilmente se encerrará nesta única alta.
“Quando o banco central começa a subir, ele sabe como o ciclo começa, mas não sabe como o ciclo acaba” , afirmou.
Leia Mais Taxa de juros nos EUA gera divergências Fed mantém juros nos EUA entre 3,5% e 3,75%; 3 membros votaram por aumento Fed: Discurso de Warsh pode gerar mais impacto do que decisão sobre juro Para ele, um aumento de apenas 25 pontos base teria impacto limitado sobre a atividade econômica e a inflação caso não fosse seguido de novas altas, tornando “razoável esperar que tenha mais altas”.
Precificação do mercado e cenário para os próximos meses Segundo Sichel, a precificação atual do mercado contempla ao menos mais uma alta de juros nos Estados Unidos ainda neste ano, com possibilidade de uma elevação adicional em 2026.
Esse cenário, segundo ele, seria bem absorvido pelos agentes financeiros.
No entanto, caso fique evidente que o ciclo será mais extenso, com duas altas em 2025 e uma ou duas no ano seguinte, a percepção do mercado mudaria de forma relevante, com reflexos sobre câmbios, juros futuros globais e mercados de ações.
Impactos para o Brasil e o papel do câmbio Questionado sobre a possibilidade de o Banco Central brasileiro continuar cortando os juros em um ambiente de aperto monetário global, Sichel considerou que, por ora, ainda existe espaço para reduções.
Ele citou o comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária), que indicou desaceleração da atividade econômica nos componentes mais cíclicos e conforto com a dinâmica da inflação.
“Pelo menos mais um corte parece estar dentro do plano da autoridade monetária aqui no Brasil” , disse.
O economista destacou, porém, que a elevação dos juros globais , com o Fed, o Banco Central Europeu e o Banco Central do Japão todos subindo suas taxas, tende a elevar o piso da política monetária mundial, dificultando, ainda que não impedindo, reduções adicionais da Selic.
Nesse contexto, o câmbio foi apontado como a principal variável de transmissão.
“Na hora que os juros globais sobem, muito provavelmente isso implica em uma pressão para a desvalorização do real” , explicou.
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