Beber “goró” na adolescência pode deixar marcas no cérebro para o resto da vida; entenda
A adolescência é uma fase de mudanças que não acontecem apenas no corpo.
Enquanto novas experiências fazem parte desse período, o cérebro também passa por um processo intenso de desenvolvimento, especialmente em áreas relacionadas ao controle dos impulsos, tomada de decisões e avaliação de riscos.
Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) investigou, em camundongos, os efeitos de episódios de consumo excessivo durante a adolescência e encontrou alterações que permaneceram na vida adulta.
Os resultados ajudam a explicar por que o cérebro nessa fase merece atenção especial quando o assunto é bebida alcoólica .
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Algumas áreas ligadas ao controle dos impulsos, tomada de decisões e avaliação de riscos ainda estão amadurecendo.
Uma delas é o córtex pré-frontal , responsável por funções como controlar comportamentos e avaliar consequências.
Segundo Karina Possa Abrahão, professora da Escola Paulista de Medicina da Unifesp e uma das pesquisadoras do estudo, esse desenvolvimento pode continuar até por volta dos 25 anos.
A bebida – popularmente chamada “goró” – pode afetar o funcionamento dessas áreas e prejudicar, no momento do consumo, habilidades como julgamento e autocontrole.
Quando o consumo é frequente ou envolve grandes quantidades em pouco tempo, a preocupação aumenta justamente porque o cérebro ainda está em desenvolvimento.
Foi esse tipo de consumo, conhecido como binge drinking , que chamou a atenção dos pesquisadores.
O termo é usado para episódios em que uma grande quantidade de álcool é ingerida em pouco tempo, levando a um estado de intoxicação .
O consumo de álcool durante a adolescência pode afetar uma fase importante do desenvolvimento cerebral. • Cottonbro Studio/Pexels O que a pesquisa descobriu sobre o consumo na adolescência? Para entender os efeitos do álcool nessa fase, pesquisadores da Unifesp acompanharam animais expostos a doses elevadas da bebida em diferentes momentos da adolescência.
Na vida adulta, foram identificadas sequelas na tomada de decisões e no comportamento de risco.
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