Cofco compra duas usinas de cana da Bunge e amplia presença no Brasil
A Cofco International fechou um acordo para comprar duas usinas de cana-de-açúcar no Brasil da trading de commodities agrícolas Bunge, ampliando a presença da empresa chinesa no setor sucroenergético brasileiro, informaram as companhias em comunicados separados nesta terça-feira.
Com o acordo, a Cofco deverá elevar de 18,5 milhões para 25,5 milhões de toneladas a capacidade de moagem de cana-de-açúcar no Brasil, colocando-se como uma das maiores do setor no maior produtor e exportador global de açúcar, juntamente com Raízen e BP Bioenergia.
O negócio envolve as usinas Rio Vermelho e Nova Unialco, localizadas na região de Araçatuba, no Estado de São Paulo, com capacidade para processar 7 milhões de toneladas de cana.
Essas unidades haviam integrado o portfólio da Bunge após a fusão com a Viterra, concluída em julho de 2025.
A transação, cujo valor não foi divulgado, ainda está sujeita a condições habituais de fechamento, incluindo aprovações regulatórias.
O acordo ocorre em um momento em que os preços do açúcar começam a se recuperar de um longo período abaixo do custo de produção, à medida que a ameaça do El Niño à produção global levou fundos a comprarem contratos futuros de forma agressiva nas últimas semanas.
“Este negócio é muito estratégico para a Cofco”, disse Willian Orzari Hernandes, sócio da consultoria do setor sucroenergético FG/A, acrescentando que as usinas incluídas na transação possuem alta capacidade de produção de açúcar.
Elas devem acrescentar cerca de 700 mil toneladas à produção de açúcar da Cofco no Brasil, elevando o total para aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, estimou ele.
“O volume ficará mais próximo da quantidade que a China importa; portanto, com o negócio, os chineses garantem o suprimento de açúcar para os próximos anos”, afirmou Orzari.
A transação deve movimentar cerca de US$350 milhões, segundo estimativas da consultoria de agronegócios Veeries, baseadas em uma avaliação de mercado de aproximadamente US$50 por tonelada de capacidade de processamento de cana.
“É possível que tenham pago um prêmio, já que são ativos de boa qualidade”, disse Fabio Meneghin, sócio da Veeries.
O avanço da Cofco no setor sucroenergético brasileiro coincide com o recente processo de reestruturação e venda de unidades iniciado pela Raízen, que está em recuperação extrajudicial.
A Bunge não tem interesse no negócio de açúcar, segundo os consultores, tendo vendido usinas para a BP no passado.
A Cofco International já tinha quatro usinas no Estado de São Paulo: Catanduva, Potirendaba, Meridiano e Sebastianópolis do Sul, além de um terminal de transbordo em Votuporanga.
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