Eleições têm 107 candidatos trans; 20 concorrem em partidos de centro e direita
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
A maioria das candidaturas trans nas eleições de 2026 está em partidos de esquerda, mas há quem tente chegar ao Congresso ou às assembleias por legendas de centro e de direita.
Levantamento da Folha a partir dos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que 20 dos 107 candidatos que se declararam transgêneros concorrem por partidos desses campos ideológicos. A declaração de identidade de gênero não é obrigatória no registro eleitoral, o que significa que o total de candidatos trans pode ser maior.
A campanha da candidata à deputada federal pelo PL (Partido Liberal) de São Paulo Sophia Barclay, por exemplo, não declarou a identidade de gênero ao TSE. Nas redes, ela se declara "trans de direita antiwoke".
"Não foi uma escolha minha [não declarar a identidade de gênero]. Nem me questionei sobre isso, e também não é relevante ter essa informação lá. Não é algo escondido: quem me acompanha sabe, e os que não acompanham irão saber ao começar a acompanhar", afirmou.
Considerando aqueles que informaram a identidade de gênero, o PSDB conta com seis candidatos trans, MDB , com quatro, Avante , Solidariedade e PP (Progressistas) têm dois, cada.
Também aparecem na lista Cidadania, União Brasil , PRD e Democrata, com uma candidatura cada.
O levantamento classificou as siglas a partir do GPS Partidário , análise que situa os partidos brasileiros da esquerda à direita a partir da vida prática da política, não do que cada legenda declara ser.
Para a pesquisadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Giulia Gouveia, a presença de pessoas trans em legendas da direita, que costumam ser contrárias aos direitos LGBTQIA+ , não é necessariamente uma contradição.
"Partidos políticos não são atores homogêneos. Embora uma legenda apresente identidade política e programa próprios, sua organização interna é composta por diferentes grupos, lideranças, correntes e candidatos, que podem apresentar posições distintas sobre determinados temas", explica.
Gouveia lembra que a identidade de um candidato não permite presumir suas posições políticas. "Ser uma pessoa trans não significa ter a pauta trans como prioridade, assim como ser mulher não implica necessariamente defender pautas relacionadas às mulheres."
Leo Krét do Brasil é outra candidata trans de partido de direita. A baiana disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo União Brasil. Em 2008, foi eleita a primeira vereadora trans de Salvador (BA), pelo PR, legenda que deixou de existir em 2019 e deu origem ao PL.
"Eu me identifico com o centro porque acredito que política precisa ter diálogo e capacidade de transitar por diferentes lados", afirma. "O União Brasil me acolheu desde a minha primeira eleição, em 2008, quando apoiei ACM Neto para prefeito."
Krét ficou conhecida como dançarina do grupo de pagode baiano Saiddy Bamba. A candidata diz que a campanha prioriza projetos sociais de esporte, assim como saúde e defesa dos direitos LGBTQIA+.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.