Ciência revela como o cérebro interpreta a beleza artística
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Líder do Grupo de Imagem da Cognição e da Consciência, Divisão de Anestesia, Universidade de Cambridge
Fique diante do quadro "Sun Rising Over Water" (1825-30), de Joseph Mallord William Turner, e algo estranho costuma acontecer. A pintura prende sua atenção, mesmo que você tenha dificuldade em dizer o porquê. Talvez seja a cor, o equilíbrio, a composição ou a estranha quietude que a obra parece transmitir.
Seja o que for, você sente isso muito antes de conseguir explicar. E a pessoa desconhecida ao seu lado, olhando para a mesma tela com o mesmo espanto nos olhos, muito provavelmente também sente isso.
Costumamos dizer que "a beleza está nos olhos de quem vê". Mas mostre a praticamente qualquer pessoa uma paisagem montanhosa enevoada chinesa da dinastia Song ou a figura delicadamente pintada da Mona Lisa, e quase todos concordam que algo impressionante está se revelando diante deles.
A beleza parece algo intensamente particular e, ao mesmo tempo, continuamos descobrindo que a compartilhamos coletivamente. Essa contradição é um dos enigmas de longa data da "neuroestética" —a ciência que estuda como o cérebro responde à arte e à beleza. Como nosso senso de beleza realmente se forma no cérebro?
Em nosso estudo mais recente, publicado na revista científica Nature Communications , tentamos mapear essa experiência compartilhada. Descobrimos que, em vez de representá-la como uma entidade única, o cérebro divide a experiência estética em duas vertentes principais. Uma vertente lida com o que uma imagem mostra, seja uma paisagem, um objeto ou uma figura.
A outra vertente analisa o quanto isso nos proporciona prazer, recorrendo aos mesmos circuitos que respondem à comida ou ao dinheiro. Esses dois sistemas neurais distintos se combinam para moldar cada julgamento de beleza que fazemos ao observar obras de arte visuais.
Os neurocientistas há muito discutem essa questão, a partir de posições que competem tão frequentemente quanto se sobrepõem. Um grupo concentra-se principalmente na percepção, em como o cérebro assimila a composição, o contraste e a forma.
Outro enfatiza a avaliação e a recompensa, situando a beleza nos circuitos de valor do cérebro. Um terceiro grupo analisa os sistemas cerebrais por trás da imaginação e da autorreflexão. Cada uma dessas visões captura algo real, mas raramente foram testadas juntas em um único estudo.
Pedimos a 34 voluntários que observassem 96 pinturas tradicionais chinesas em aquarela dentro de um aparelho de ressonância magnética de 7T, potente o suficiente para detectar pequenas variações no fluxo sanguíneo que indicam a atividade cerebral. Ao saírem do aparelho, cada participante avaliou como as pinturas os faziam se sentir.
Em vez de trabalhar diretamente com essas avaliações brutas, no entanto, recorremos a uma ferramenta de uma fonte menos óbvia: os mecanismos de recomendação que alimentam serviços como Netflix e Spotify.
Conhecidos como algoritmos de filtragem colaborativa, essas ferramentas se destacam na detecção de padrões de concordância ocultos nas preferências das pessoas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Ilustrada.