“New York Times” diz que Trump deve ficar fora da política brasileira
O conselho editorial do jornal norte-americano The New York Times publicou neste domingo (25.out.2026) um texto opinativo no qual afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), deve ficar fora da política brasileira.
A publicação argumenta que tentativas de interferência em eleições de nações democráticas são contraproducentes e enfraquecem o papel diplomático do governo.
O editorial foi veiculado no mesmo dia da votação do 2º turno das eleições gerais de 2026 no Brasil, entre presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O petista venceu com 51,77% dos votos.
Segundo o veículo, embora não tenha formalizado apoio público explícito à candidatura do senador do PL –por receio de reações adversas entre os eleitores brasileiros–, o governo norte-americano realizou ações diretas de pressão contra o país.
O jornal cita a instituição de tarifas alfandegárias de 50% aplicadas em 2025 sobre a maioria das exportações brasileiras aos EUA e sanções impostas a autoridades do Judiciário brasileiro ligadas a julgamentos da cúpula do governo anterior.
RETORNO A PASSADO INTERVENCIONISTA O periódico avalia que a atitude da atual gestão da Casa Branca rompe uma tradição diplomática recente de respeito aos processos eleitorais na América Latina e reedita práticas intervencionistas registradas durante o período da Guerra Fria.
“ A interferência externa nas eleições de um Estado democrático é antidemocrática: os norte-americanos, afinal, não fazem parte do corpo político brasileiro.
Subjacente às intervenções do governo Trump está a mensagem desrespeitosa de que os norte-americanos pensam que sabem melhor do que os brasileiros o que é melhor para o Brasil ”, escreveu o conselho editorial.
O texto também pontua que a prática de adotar retaliações comerciais ou incentivos a lideranças políticas de direita não se restringe ao cenário brasileiro, citando episódios recentes envolvendo nações como Argentina, Colômbia e Hungria.
CRÍTICAS NA ONU E NO CONGRESSO DOS EUA As medidas adotadas pelos Estados Unidos motivaram questionamentos políticos em instâncias internacionais e dentro do país.
Em setembro de 2026, congressistas do Partido Democrata encaminharam uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, denunciando o que classificaram como uma campanha articulada de desestabilização contra o Brasil.
O tema também foi levado à Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) por Lula, que criticou pressões de grandes potências militares sobre pleitos democráticos soberanos.
O jornal conclui afirmando que esse tipo de atitude gera desgaste na reputação internacional e no “ soft power ” norte-americano.
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