Governo vê falha da campanha ao explicar relação de Lula com Moraes
Importantes integrantes do governo, entre os mais próximos de Lula, criticam a comunicação da campanha e da própria gestão por não conseguir explicar a relação do presidente com Alexandre de Moraes.
Na avaliação deles, a hesitação em tratar do assunto permite que a crise do Supremo no caso Master também recaia sobre Lula.
Um desses auxiliares distingue a relação institucional, necessária à governabilidade, da aproximação entre os dois durante a reação à tentativa de golpe.
Lula, Geraldo Alckmin e Moraes foram apontados como alvos de um plano de assassinato.
Estar sob a mesma ameaça criou, nas palavras dele, uma “solidariedade situacional”.
Não criou uma relação de compadrio nem obriga o presidente a defender a conduta do ministro diante das suspeitas atuais.
A campanha também deveria lembrar, segundo esse integrante do governo, a trajetória política de Moraes.
Ele foi secretário da Segurança Pública de São Paulo, filiou-se ao PSDB e se tornou ministro da Justiça de Michel Temer.
Então vice-presidente, Temer articulou pelo impeachment de Dilma Rousseff, aliada histórica de Lula, e assumiu o governo após sua destituição.
Sem contar o fato de que Moraes tem histórico de posições conservadores no passado.
Outro exemplo citado é a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias ao Supremo.
Para o integrante do governo, a derrota expõe uma contradição que a comunicação não soube explorar: se Lula tivesse com o STF a aliança incondicional que lhe atribuem, argumenta, não teria perdido a votação de um nome de sua confiança para a Corte.
Alias, o primeiro a ser rejeitado em 132 anos, inclusive com a ajuda de integrantes do próprio Supremo.
A crítica é à falta de clareza ao tratar da crise: Lula tem de dialogar com o Supremo, mas a relação construída com Moraes diante da ameaça golpista não faz do presidente seu aliado incondicional no caso Master.
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