Prefeito de Centro Novo do Maranhão é condenado por exploração ilegal de ouro em assentamento
Prefeito de Centro Novo do Maranhão é condenado por exploração ilegal de ouro em assentamento MPCE/ Divulgação O prefeito de Centro Novo do Maranhão foi condenado pela Justiça Federal por envolvimento na exploração irregular de ouro em uma área pública destinada à reforma agrária, no povoado Cipoeiro, no município.
A decisão também condenou o estado do Maranhão, um empresário e uma empresa de mineração por irregularidades e danos ambientais causados pela atividade.
A sentença atende a uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), em 2021, e determina a suspensão das atividades minerárias ilegais, a desocupação da área, a recuperação ambiental e o pagamento de indenizações por danos ambientais e morais coletivos.
Segundo o MPF, a exploração de ouro ocorria na Fazenda Amor, dentro do Projeto de Assentamento Quadra Água Azul, administrado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Maranhão no WhatsApp Fiscalizações realizadas em 2019 pelo Incra e pela Agência Nacional de Mineração (ANM) identificaram máquinas e estruturas utilizadas na atividade, que funcionava sem autorização válida da União.
De acordo com a sentença, o prefeito participou diretamente da instalação e do funcionamento do empreendimento.
Ele firmou um contrato particular de arrendamento da área com uma beneficiária do assentamento rural e assinou o pedido de licenciamento ambiental, além de documentos técnicos encaminhados à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema).
A empresa J & A dos Santos Mineração Ltda., atualmente denominada A G da Silva Mineração Eireli, possuía licença ambiental concedida pela Sema, mas não tinha título minerário válido para explorar ouro no local.
O MPF também apontou o uso de informações fraudulentas no processo de licenciamento.
As investigações identificaram que o empreendimento utilizava cianeto de sódio, uma substância tóxica, no processamento de rejeitos minerais para extração de ouro.
Apesar disso, a atividade foi enquadrada pela Sema como gestão de resíduos sólidos em uma área anteriormente explorada por terceiros.
Segundo o Ministério Público, esse enquadramento não correspondia às características reais da operação e comprometeu a avaliação dos riscos ambientais.
Mesmo diante dessas condições, o órgão estadual concedeu uma licença de operação em 2016.
Um laudo elaborado por peritos do MPF confirmou o uso de cianeto no beneficiamento do minério e constatou que a atividade era desenvolvida dentro de uma área pertencente à União, destinada à reforma agrária, sem autorização para exploração mineral.
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