O segredo oculto na neurociência: como construções antigas enganam nosso cérebro para reduzir o estresse — e por que prédios modernos fazem o oposto
Quem já entrou numa igreja barroca em Ouro Preto, caminhou pelo Pelourinho, em Salvador, ou passou uma tarde num casarão convertido em museu costuma descrever uma sensação parecida: o ritmo desacelera, a respiração fica mais longa e o cansaço parece ceder.
De volta ao próprio apartamento, a experiência pode ser a oposta.
Mesmo sem uma causa evidente, algumas pessoas podem sentir que, ao chegar em casa, se sentem mais drenadas do que descansadas.
A percepção, tratada por muito tempo como questão de gosto, virou objeto de estudo de uma área que cruza arquitetura, neurociência e psicologia ambiental.
O corpo avalia o espaço antes da consciência A neuroarquitetura investiga como luz, altura do teto, formas, texturas, cores e ruído alteram respostas fisiológicas, como frequência cardíaca, condutância da pele e níveis de cortisol, o hormônio associado ao estresse .
O campo ganhou estrutura institucional nos anos 2000, com a criação da Academia de Neurociência para a Arquitetura (ANFA), nos Estados Unidos, e hoje reúne laboratórios em universidades da América do Norte e da Europa.
Para a arquiteta Andréa de Paiva, mestre em arquitetura com foco em neurociência pela Middlesex University, de Londres, e fundadora do NeuroAU, núcleo brasileiro dedicado à neuroarquitetura , a principal dificuldade está em perceber esses efeitos no dia a dia.
“Muitos dos efeitos do ambiente decorrem daquilo que a gente não percebe”, afirma.
Ainda segundo a pesquisadora, a análise não parte do gosto pessoal, mas de reações que o corpo produz sem passar pela avaliação consciente, como a sensação de insegurança diante de estímulos visuais ou sonoros em excesso.
Leia mais O que é muxarabi? Entenda e confira dicas para usar na decoração Você anda cansado? A iluminação da sua casa pode ser um dos motivos O fim da construção de 144 anos da Sagrada Família com a Torre de Jesus Construções antigas repetem padrões encontrados na natureza Uma das explicações mais citadas para o conforto em construções antigas está na geometria.
Fachadas com ornamentos, cornijas, frisos, azulejos e esquadrias trabalhadas costumam repetir detalhes em diferentes escalas, numa lógica semelhante à de galhos de árvores, nuvens e linhas costeiras.
Esses padrões são chamados de fractais.
O físico Richard Taylor, da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, estuda há cerca de duas décadas a reação do organismo a essas formas.
Em experimentos com rastreamento ocular e eletroencefalograma, sua equipe identificou que fractais de complexidade intermediária, parecidos com os encontrados na natureza, podem reduzir indicadores de estresse fisiológico em até 60%.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.