Aguidavi do Jêje reúne Chico César, BaianaSystem e Ilessi em Salvador
Chico César, BaianaSystem e Ilessi se encontram com o Aguidavi do Jêje no espetáculo Encontro Ancestral, que celebra a força das matrizes africanas na música brasileira.
A apresentação acontece em 13 de novembro, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, e marca o encerramento do projeto, que promove encontros entre a formação afro-percussiva e artistas de diferentes trajetórias musicais.
No palco, 14 ogãs, mais de 18 instrumentos e 15 atabaques artesanais dão forma a uma experiência que conecta conhecimentos preservados há mais de três séculos a novas possibilidades de criação.
Formado por músicos ligados ao Terreiro do Bogum, em Salvador, o Aguidavi do Jêje tem como base os ritmos da nação Jêje-Mahi, transmitidos entre gerações por meio da oralidade, da convivência e da prática.
Sob direção musical de Luizinho do Jêje e Kainã do Jêje, o grupo construiu uma linguagem própria, marcada pela força da percussão coletiva e pela combinação de vozes, dança e diferentes expressões musicais.
Os 15 atabaques utilizados nas apresentações são confeccionados artesanalmente por Luizinho do Jêje no próprio terreiro.
O projeto Encontro Ancestral parte dessa identidade musical para criar diálogos com artistas de diferentes estilos.
Em vez de participações convencionais, os encontros propõem novos arranjos e levadas para as canções dos convidados, incorporando a linguagem dos atabaques e a experiência musical do Aguidavi.
O resultado é um espetáculo em que a ancestralidade se manifesta como uma força criativa presente na música brasileira contemporânea.
“Já havia uma conexão muito forte entre nós, construída em encontros anteriores.
A música do Aguidavi do Jêje tem uma origem religiosa e a minha parte de uma perspectiva secular, mas ambas se encontram na tradição e na ancestralidade africana.
A música brasileira tem uma relação profunda com as matrizes musicais africanas e não há como separar a nossa música dessa tradição que vem dos terreiros.
São elementos que muitas vezes estão presentes de forma sutil, mas, quando acontece um encontro como esse com o Aguidavi, essa conexão fica explícita.
Para mim, estar com eles fortalece a dimensão de transcendência do meu trabalho e da minha própria existência.
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